Ele foi tomado por uma dor insuportável no peito.
Após um longo silêncio, os lábios de Cícero se curvaram em um sorriso enigmático que Eduarda não conseguiu decifrar.
Ele ergueu a mão, deslizando os dedos gelados sobre a pele igualmente fria da bochecha dela, acariciando-a com uma lentidão calculada.
O toque era extremamente vívido e real, revelando uma pele macia e delicada.
No entanto, aquele rosto deslumbrante exibia apenas um distanciamento absoluto.
— Eduarda, tudo isso são apenas teorias suas, certo? — Perguntou Cícero com um sorriso brando.
Ela permaneceu imóvel, sustentando o olhar dele com uma expressão vazia de emoções, movida apenas pela curiosidade.
Os movimentos dos dedos dele pareciam os sussurros sedutores de um amante, misturados à concentração predatória de um caçador.
— E o que você faria se eu dissesse que você acertou em tudo? — Questionou ele lentamente.
Eduarda também sorriu, mas o seu sorriso pareceu brutal e implacável aos olhos dele.
— Se for verdade, será apenas o seu castigo, Cícero. Eu não preciso fazer absolutamente nada, isso se chama o retorno do carma. — Retrucou ela.
— Mas, se eu estiver errada, você é um psicopata. — Concluiu ela, desviando o olhar para a janela.
Cícero ficou paralisado por alguns segundos antes de começar a rir, uma risada lenta e prolongada.
Até mesmo Damiano, que dirigia no banco da frente, ficou perturbado com a reação incomum do patrão.
Ele não tinha nenhuma lembrança de já ter visto o Sr. Machado agir daquela forma.
Na visão dele, ele deveria ser sempre um homem austero, olhando para todos com arrogância.
Ninguém fazia a menor ideia do que se passava na cabeça de Cícero naquele instante.
Mas, Eduarda não deu a mínima para o ataque de risos dele; já havia fechado os olhos e encostado a cabeça no banco.
— Não voltaremos para o Parque Tropical. Siga para a região do anel viário central. — Ordenou Cícero ao motorista.
— Sim, Sr. Machado. — Respondeu Damiano prontamente.
O carro rodou por um longo tempo até finalmente estacionar diante de um condomínio residencial bastante discreto.
Cícero desembarcou primeiro, contornou o veículo e abriu a porta do lado de Eduarda.
— Desça do carro. — Instruiu ele.
Como se temesse uma fuga, ele agarrou o pulso dela e a puxou para fora.
— E você é diferente? Eu também não faço a menor ideia de onde fica o seu atual endereço. — Retrucou Cícero, virando-se para encará-la de cima.
Exatamente como ocorria naquele momento, Cícero ignorava completamente o paradeiro dela.
Ele só havia descoberto a residência na Avenida Dom Pedro II graças às investigações de Arthur Machado.
Caso contrário, ela jamais teria lhe revelado aquela informação de livre e espontânea vontade.
— Cícero, eu te falei onde eu morava no passado, mas você nunca se importou em lembrar. A culpa é minha por acaso? — Respondeu ela, abrindo um sorriso cínico.
Cícero a fitou por um momento, incapaz de formular uma resposta contra o argumento irrefutável.
Ele caminhou até a varanda, sentou-se em uma cadeira e inclinou a cabeça, indicando que ela fizesse o mesmo no assento oposto.
Eduarda atendeu ao pedido silencioso, acomodando-se na cadeira com os braços cruzados contra o peito.
— Vá em frente, sobre o que você quer conversar? — Perguntou ela de forma seca, cruzando as pernas em uma postura defensiva que gritava distância.
Os dois estavam sentados frente a frente, separados por um único passo de distância, mas a frieza entre eles criava um abismo de milhares de quilômetros.
A proximidade física não era capaz de mascarar o abismo emocional que os afastava.
— Por que você está tão obcecada com essa ideia de divórcio? Acabou se cansando do título de Sra. Machado? — Começou Cícero em um tom pausado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes