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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 309

Ele foi tomado por uma dor insuportável no peito.

Após um longo silêncio, os lábios de Cícero se curvaram em um sorriso enigmático que Eduarda não conseguiu decifrar.

Ele ergueu a mão, deslizando os dedos gelados sobre a pele igualmente fria da bochecha dela, acariciando-a com uma lentidão calculada.

O toque era extremamente vívido e real, revelando uma pele macia e delicada.

No entanto, aquele rosto deslumbrante exibia apenas um distanciamento absoluto.

— Eduarda, tudo isso são apenas teorias suas, certo? — Perguntou Cícero com um sorriso brando.

Ela permaneceu imóvel, sustentando o olhar dele com uma expressão vazia de emoções, movida apenas pela curiosidade.

Os movimentos dos dedos dele pareciam os sussurros sedutores de um amante, misturados à concentração predatória de um caçador.

— E o que você faria se eu dissesse que você acertou em tudo? — Questionou ele lentamente.

Eduarda também sorriu, mas o seu sorriso pareceu brutal e implacável aos olhos dele.

— Se for verdade, será apenas o seu castigo, Cícero. Eu não preciso fazer absolutamente nada, isso se chama o retorno do carma. — Retrucou ela.

— Mas, se eu estiver errada, você é um psicopata. — Concluiu ela, desviando o olhar para a janela.

Cícero ficou paralisado por alguns segundos antes de começar a rir, uma risada lenta e prolongada.

Até mesmo Damiano, que dirigia no banco da frente, ficou perturbado com a reação incomum do patrão.

Ele não tinha nenhuma lembrança de já ter visto o Sr. Machado agir daquela forma.

Na visão dele, ele deveria ser sempre um homem austero, olhando para todos com arrogância.

Ninguém fazia a menor ideia do que se passava na cabeça de Cícero naquele instante.

Mas, Eduarda não deu a mínima para o ataque de risos dele; já havia fechado os olhos e encostado a cabeça no banco.

— Não voltaremos para o Parque Tropical. Siga para a região do anel viário central. — Ordenou Cícero ao motorista.

— Sim, Sr. Machado. — Respondeu Damiano prontamente.

O carro rodou por um longo tempo até finalmente estacionar diante de um condomínio residencial bastante discreto.

Cícero desembarcou primeiro, contornou o veículo e abriu a porta do lado de Eduarda.

— Desça do carro. — Instruiu ele.

Como se temesse uma fuga, ele agarrou o pulso dela e a puxou para fora.

— E você é diferente? Eu também não faço a menor ideia de onde fica o seu atual endereço. — Retrucou Cícero, virando-se para encará-la de cima.

Exatamente como ocorria naquele momento, Cícero ignorava completamente o paradeiro dela.

Ele só havia descoberto a residência na Avenida Dom Pedro II graças às investigações de Arthur Machado.

Caso contrário, ela jamais teria lhe revelado aquela informação de livre e espontânea vontade.

— Cícero, eu te falei onde eu morava no passado, mas você nunca se importou em lembrar. A culpa é minha por acaso? — Respondeu ela, abrindo um sorriso cínico.

Cícero a fitou por um momento, incapaz de formular uma resposta contra o argumento irrefutável.

Ele caminhou até a varanda, sentou-se em uma cadeira e inclinou a cabeça, indicando que ela fizesse o mesmo no assento oposto.

Eduarda atendeu ao pedido silencioso, acomodando-se na cadeira com os braços cruzados contra o peito.

— Vá em frente, sobre o que você quer conversar? — Perguntou ela de forma seca, cruzando as pernas em uma postura defensiva que gritava distância.

Os dois estavam sentados frente a frente, separados por um único passo de distância, mas a frieza entre eles criava um abismo de milhares de quilômetros.

A proximidade física não era capaz de mascarar o abismo emocional que os afastava.

— Por que você está tão obcecada com essa ideia de divórcio? Acabou se cansando do título de Sra. Machado? — Começou Cícero em um tom pausado.

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