Naquele aspecto específico, as preferências de Rafael e de Eduarda alinhavam-se com uma precisão impressionante.
Diante das objeções taxativas de ambos, o gerente não se atreveu a insistir em sua servidão.
Desagradar a dupla de bilionários seria um golpe fatal e definitivo em sua trajetória profissional.
Ele resignou-se a recuar, designando um garçom sênior para substituí-lo no salão.
Contudo, o gerente permaneceu entrincheirado no terminal de controle da entrada, monitorando as câmeras de segurança para intervir ao menor sinal de necessidade.
A sua mente trabalhava a todo vapor, consumida pela hipótese de Cícero decidir fazer uma aparição surpresa.
Se o grande magnata cruzasse aquelas portas, o hotel inteiro precisaria operar em um estado de alerta máximo digno de um chefe de estado.
Impulsionado pelo medo, ele ativou o rádio comunicador.
— Atenção absoluta a todos os postos, hoje enfrentamos um cenário crítico e exijo o grau máximo de perfeição em cada movimento.
Um coral de confirmações tensas estalou no ponto eletrônico preso ao seu ouvido.
Incapaz de relaxar por um único segundo, o gerente encarregou os porteiros de relatarem a marca e a placa de cada veículo que encostasse no pátio.
O relógio avançou exatos vinte minutos.
Um carro executivo de luxo, com blindagem escura e aparência intimidadora, freou suavemente diante da entrada principal.
Assim que o chefe da segurança sussurrou as letras da placa no rádio, o gerente sentiu os músculos do pescoço travarem de pavor.
O seu dedo esmagou o botão do transmissor com violência.
— Alerta vermelho para todos os setores, acionem o protocolo VIP imediatamente, o Sr. Machado acabou de pisar no hotel.
Enquanto berrava as últimas instruções, as suas pernas corriam desesperadamente em direção ao lobby de mármore.
O gerente deslizou para o salão principal no exato instante em que Cícero cruzava os portões giratórios.
O funcionário assumiu a liderança da fileira de recepcionistas perfilados e curvou a coluna em um ângulo de noventa graus.
— Seja extremamente bem-vindo para a sua inspeção, Sr. Machado.
O som metálico dos sapatos italianos de Cícero ecoou pelo chão imaculado.
— Em qual ambiente está a minha esposa?
O gerente endireitou-se e estendeu a palma da mão direita, indicando o luxuoso corredor leste.
— A senhora encontra-se no Salão Orquídea. O senhor deseja ser escoltado até lá?
Cícero aprovou com um grunhido grave.
O gerente assumiu a vanguarda como um general e pavimentou o caminho de seu mestre até o destino.
Somente quando as duas figuras viraram a esquina é que a equipe do lobby conseguiu recuperar o fôlego.
A ficha de que o solteiro mais cobiçado do país estava secretamente casado caiu como uma bomba sobre a cabeça de todos.
Damiano acompanhava a marcha silenciosa de seu chefe, sem proferir uma única sílaba sobre o ocorrido.
O assistente lutava para compreender a drástica mudança de comportamento do magnata, que sempre escondera a esposa como um segredo de Estado.
Anunciar a existência de sua mulher para um bando de funcionários, de forma tão casual e possessiva, beirava o surreal.
Sem esperar pela bebida, Cícero adentrou o salão VIP.
A sua presença dominadora sufocou as conversas ruidosas do departamento instantaneamente.
— Meu Deus do céu, aquele homem formidável é o presidente supremo do Grupo Machado? O sujeito tem o porte atlético de um modelo internacional!
— Com certeza é ele! É a primeira vez que vejo alguém capaz de rivalizar com a beleza do Sr. Duarte de igual para igual.
— Mas esperem, o que esse titã dos negócios veio fazer aqui? O nosso departamento não alugou a sala inteira para o jantar?
Os colegas trocaram olhares confusos.
— Vocês acham que ele entrou atrás do Sr. Duarte para discutir algum acordo sigiloso?
— Parem de inventar teorias absurdas, pois ele está literalmente caminhando em direção à mesa do chefe.
Os sapatos de Cícero ditavam um ritmo de execução implacável pelo piso de madeira fina.
Ele ancorou a sua figura ameaçadora exatamente ao lado da mesa ocupada pelo casal.
O corpo imponente bloqueou a iluminação do lustre de cristal, afogando Eduarda em uma sombra gélida.
Quando a mulher ergueu os olhos em protesto, o seu coração errou uma batida ao reconhecer o rosto familiar.
A alegria radiante que adornava os seus lábios evaporou como fumaça no vento.
Eduarda disparou as palavras como se fossem lâminas de gelo.
— O senhor poderia ter a decência de sair da frente, Sr. Machado? A sua sombra está arruinando o meu jantar.

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