A equipe prometeu em uma só voz.
— Entendido, senhor, não o decepcionaremos.
O gerente assentiu com rigidez.
— Ótimo, agora voltem lá para dentro e façam o trabalho de vocês de forma brilhante.
Enquanto os supervisores retornavam à sala VIP, o gerente permaneceu no corredor.
Ele ponderou sobre as consequências e, por fim, pegou o celular para ligar para a administração central do grupo.
— Boa noite, aqui é o gerente de operações do novo hotel. Eu preciso que vocês me transfiram para a linha direta de Damiano, o assistente pessoal do Sr. Machado.
A recepção executiva forneceu o número de contato sem hesitação.
O gerente discou imediatamente para o aparelho pessoal de Damiano Villar.
Naquele exato momento, Damiano conduzia o veículo executivo pelas ruas da cidade.
No banco de trás, Cícero analisava meticulosamente os relatórios de um projeto em seu tablet.
O percurso era suave, mas o silêncio dentro da cabine pesava como chumbo.
Um número desconhecido piscou na tela do celular de Damiano.
Ele tocou no fone de ouvido Bluetooth para atender e ouviu o relato afobado do outro lado da linha.
— Correto, você está falando com o assistente pessoal do presidente.
Damiano hesitou, lutando para manter o tom de voz o mais baixo possível.
— Você está me dizendo que a esposa do presidente e o Sr. Duarte estão jantando juntos no restaurante do nosso novo hotel?
Ao escutar aquela frase, o dedo de Cícero congelou sobre a tela de vidro.
Ele ergueu lentamente os olhos escuros.
O seu olhar frio travou na tela de multimídia do painel, que exibia a chamada ativa de Damiano.
Damiano escutou pacientemente as explicações histéricas do gerente do hotel.
Após absorver os detalhes, ele emitiu o seu veredicto de forma seca.
— Compreendido, eu mesmo tomarei as providências adequadas.
Damiano encerrou a chamada e desviou o olhar para o espelho retrovisor.
O brilho fantasmagórico do tablet refletia nas lentes dos óculos de Cícero, ocultando a verdadeira expressão em seus olhos.
O assistente avaliou a gravidade da situação e decidiu que omitir o fato seria um erro fatal.
Ele pigarreou antes de quebrar o silêncio opressivo do veículo.
— Sr. Machado, o gerente do nosso novo estabelecimento acabou de informar que a sua esposa e o Sr. Duarte estão no restaurante acompanhados de um grupo de pessoas. Eles ligaram em pânico perguntando se a visita tinha o seu aval e quais protocolos de serviço deveriam seguir para não ofendê-la.
Cícero finalmente levantou o rosto, exibindo um abismo insondável no fundo dos seus olhos.
Damiano foi incapaz de decifrar a emoção oculta por trás daquela máscara de apatia.
Cícero consultou as horas em seu relógio de pulso luxuoso.
— Dê a volta, nós vamos para o hotel.
Damiano arriscou um novo olhar pelo retrovisor, preocupado com as consequências daquela ordem.
— Mas, Sr. Machado, o jantar de hoje contará com a presença das mais altas autoridades políticas, cancelá-lo em cima da hora causará um incidente diplomático.
Ele sentia que era o seu dever inegociável como assistente executivo apontar a falha daquela estratégia.
O olhar de Cícero tornou-se gelado e a sua voz soou como uma rajada de vento cortante.
Eduarda, que acabara de tomar um gole de sua bebida, também ergueu os olhos para analisar o rosto suado do homem.
O gerente exibiu um sorriso polido e inclinou a cabeça em um gesto de pura submissão.
Ele falou com uma mistura calculada de fervor e profissionalismo.
— Senhora e Sr. Duarte, a presença de figuras tão ilustres exige que o nosso hotel entregue o nível de hospitalidade mais impecável possível.
As sobrancelhas delicadas de Eduarda se curvaram em desconfiança.
— Você sabe quem eu sou?
O gerente justificou com prontidão.
— Eu tive o enorme privilégio de vê-la na sede corporativa e a sua aura majestosa gravou-se permanentemente em minha memória.
Eduarda ofereceu um sorriso protocolar, mas a sua expressão endureceu em seguida.
— Pare de me tratar por esse título em público, considere-me apenas uma cliente comum que não exige privilégios.
O incômodo pulsava em seu peito.
No entanto, ela compreendia que não seria justo descontar as suas frustrações em um mero funcionário cumprindo o seu dever.
O gerente gaguejou algumas palavras sem sentido.
A simples ideia de tratar a esposa do presidente de forma comum parecia um passaporte direto para a demissão.
Rafael interveio para reforçar o pedido de sua acompanhante.
— Exatamente, nós estamos pagando as contas como qualquer mortal, então guarde a bajulação para uma outra ocasião.
O herdeiro da família Duarte também repudiava aquela atenção excessiva que sufocava a liberdade da noite.

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