— Hã? Por que isso, Sr. Duarte?
A designer pareceu confusa por um segundo, mas a lembrança do veículo de luxo de Rafael apagou qualquer objeção de sua mente.
Ter a chance de andar naquele carro exótico faria a noite valer a pena.
Ela se afastou com um sorriso de orelha a orelha.
— Muito obrigada, Sr. Duarte, eu aceito a sua generosidade sem pensar duas vezes!
O resto da equipe desceu pelos elevadores em pequenos grupos.
Eles se dividiram entre os que iriam dirigir e os que pegariam caronas antes de partirem.
Eduarda e Rafael chegaram à garagem subterrânea.
Ela olhou para o seu próprio carro esportivo e depois para o automóvel de Rafael, que esbanjava luxo.
Ela quebrou o silêncio.
— Sr. Duarte, por que o senhor prefere abandonar o seu iate luxuoso para navegar no meu barquinho modesto?
Rafael entrou na brincadeira com facilidade.
— O iate luxuoso estava muito solitário apenas comigo, enquanto o barquinho modesto tem a sua companhia, o que é uma excelente vantagem.
Eduarda ainda não estava totalmente habituada às cantadas casuais que ele disparava sem o menor esforço.
Contudo, o desconforto que ela sentia no início já havia desaparecido quase por completo.
Desde que retornaram do exterior, Rafael adotou a postura de flertar sutilmente em quase todas as interações que tinham.
Aquela habilidade sedutora devia ser fruto da sua vasta experiência com mulheres, ou talvez fosse apenas um talento natural que nunca falhava.
Com o tempo, Eduarda se acostumou com o jeito inerentemente galanteador que ele exibia fora do trabalho.
Ela simplesmente preferia não levar aquelas palavras tão a sério.
Eduarda riu em silêncio.
Ela estava prestes a entrar no banco do motorista quando Rafael interceptou o seu movimento.
Ele fez uma reverência digna de um cavalheiro da corte.
— Deixe comigo, as damas devem descansar.
Ela ponderou por um instante, deu um sorriso suave e cedeu.
— Então eu deixo o volante em suas mãos hábeis, Sr. Duarte.
Rafael ergueu as sobrancelhas e assumiu a direção.
O veículo acelerou e deixou a garagem subterrânea em questão de segundos.
Em meio ao trânsito caótico, o carro deles mergulhou na vibrante iluminação noturna da metrópole.
No recém-inaugurado hotel do Grupo Machado, o gerente reservou o suntuoso Salão Orquídea para o grande grupo de Rafael.
O espaço funcionava como um restaurante privado dentro do salão principal, contando com uma equipe exclusiva de maîtres à disposição.
Um burburinho chocado tomou conta dos funcionários.
Um supervisor júnior expressou a sua incredulidade.
— Como o senhor tem tanta certeza dessas identidades? Essa é a esposa do Sr. Machado? As revistas dizem que o presidente é um solteiro convicto, de onde surgiu essa esposa?
O gerente fuzilou o subordinado com um olhar severo.
— Não diga bobagens, ela é a verdadeira e oficial Sra. Machado, a diferença é que você não tem nível hierárquico para saber disso.
Apesar da bronca, os funcionários ainda nutriam dúvidas sobre a legitimidade de Eduarda.
Ela parecia apenas uma mulher bonita e comum, sem a arrogância típica das damas da alta sociedade.
O gerente cortou as especulações com firmeza.
— Eu participei de uma reunião na sede corporativa e cruzei com ela perto do departamento jurídico, onde os advogados do grupo me confirmaram a sua identidade. Acham que o jurídico da matriz mentiria?
Ele aproveitou para lançar um último aviso aterrador.
— Se o Sr. Machado esconde o seu casamento da mídia, significa que ele protege a sua esposa de forma implacável, então quem de vocês será o suicida a ofendê-la e jogar a própria carreira no lixo?
Ninguém naquele corredor tinha o desejo de perder um emprego de prestígio que pagava um salário tão alto.
O medo instalou um silêncio absoluto entre a equipe.
Satisfeito com a reação, o gerente concluiu o seu discurso.
— Eu também vi o Sr. Duarte pessoalmente durante uma convenção de negócios, portanto, ambos são genuínos. Sirvam-nos como se fossem a realeza, ou todos nós estaremos na rua amanhã de manhã.

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