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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 283

Desde o dia em que recebera o acordo de divórcio, Cícero sequer o abrira novamente.

Ele não sabia explicar qual era o seu estado psicológico.

No subconsciente, ele não queria encarar aquele acordo, nem ver as cláusulas e nomes que simbolizavam a separação total entre ele e Eduarda.

Da mesma forma, ele desconhecia a causa daquela sensação estranha no peito.

Era como se a ideia de Eduarda desaparecer de vez lhe causasse sentimentos diferentes, pensamentos inéditos de não querer que ela partisse.

Cícero sentiu uma dor de cabeça; apoiou-se na mesa, descansou a testa sobre as mãos e respirou fundo, de cabeça baixa.

Em seguida, fechou o acordo de divórcio e o devolveu à estante.

Na manhã seguinte, Eduarda, já pronta em casa, colocava os brincos diante do espelho de corpo inteiro quando o telefone tocou.

Eduarda pegou o celular, olhou e atendeu:

— Sr. Duarte, você já chegou?

A voz levemente frívola de Rafael soou:

— Cheguei. Estou no estacionamento do seu prédio. Pode descer.

— Certo, espere um instante.

Eduarda desligou, colocou o outro brinco, ajeitou a roupa e o cabelo, e desceu com a mala.

No estacionamento do térreo.

Rafael estava encostado no carro, com as longas pernas cruzadas, fumando um cigarro de cabeça baixa.

Ao ver Eduarda se aproximar, Rafael mordeu o cigarro e sorriu de canto:

— Foi rápida. Passe a bagagem para cá.

Rafael aproximou-se, pegou a mala da mão de Eduarda com naturalidade, abriu o porta-malas e guardou a bagagem.

Eduarda olhou para dentro do carro:

— O Sr. Duarte não chamou um motorista?

— É muito incômodo. Eu mesmo vim dirigindo. — Respondeu Rafael.

— Ah. — Eduarda assentiu. — Sr. Duarte, deixe que eu dirija então. Conheço bem o caminho para o aeroporto.

Eduarda fez menção de abrir a porta do motorista, mas Rafael empurrou a porta, fechando-a com a palma da mão.

Rafael balançou o dedo indicador:

— Tudo bem, Sr. Duarte.

Enquanto dirigia, Rafael lançou-lhe um olhar rápido e disse:

— Quando é que você vai deixar de ser tão formal? Não pode me chamar pelo nome?

Eduarda não respondeu.

— É melhor o Sr. Duarte se concentrar na direção. — Disse Eduarda.

Rafael suspirou em tom de brincadeira e continuou dirigindo suavemente rumo ao aeroporto.

Sob o céu claro, uma nuvem branca cruzava o horizonte.

Eduarda, sentada na janela do avião, olhava para fora; daquela perspectiva, todos os seres pareciam incrivelmente pequenos.

Observando tal paisagem, o coração de Eduarda sentiu-se um pouco mais aliviado.

Ao observar a pequenez do amor romântico diante da grandiosidade da natureza, ela deixou de se preocupar tanto com o passado.

Ganhos e perdas pareciam apenas uma gota no oceano, indignos de tanta memória e preocupação.

Do outro lado do corredor, Rafael olhou para Eduarda e sorriu, baixando a cabeça.

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