Franklin sentiu que ela não parecia exatamente irritada.
Talvez estivesse apenas decepcionada com ele.
Eduarda continuou:
— A intenção dela, na verdade, era usar a criança que carrego no ventre. Ela queria fazer o Cícero acreditar que este filho não é dele. Estou certa, Franklin?
Eduarda narrava tudo com uma calma impressionante.
Quando descobriu a gravidez, sua mente havia ficado um caos, incapaz de encontrar um fio condutor.
Mas, durante os dois dias de descanso em casa, ela desenrolou lentamente a teia dos acontecimentos. Só lhe faltava uma prova.
Por isso, quando Franklin pediu para visitá-la, ela não recusou.
Ela também queria verificar se suas suspeitas eram reais: se Franklin estava, de fato, escondendo algo dela.
Agora, a reação de Franklin confirmava tudo.
Eduarda sorriu de forma pálida.
Ela não pôde deixar de questionar: quantas pessoas ao seu redor eram realmente dignas de confiança?
Exceto a Professora Zenilda, a Pérola e os colegas do ateliê, quantos daqueles que pertenciam à chamada alta sociedade possuíam alguma sinceridade?
Ela estava exausta. Lidar com aquelas pessoas drenava suas energias físicas e mentais.
A sinceridade alheia era um mistério difícil de desvendar, e ela não queria mais se arriscar.
Entregar o coração significava assumir o risco de se ferir. Ela já havia aprendido essa lição de forma amarga com Cícero.
Não queria mais permitir que a machucassem.
Franklin tentou falar:
— Eduarda, você...
Eduarda balançou a cabeça com um sorriso leve e disse em tom neutro:
— Sr. Nogueira, pode ir embora. Obrigada por ter vindo me ver hoje.
Ela mudou até a forma de tratamento, voltando ao distanciamento formal do início.
Eduarda baixou os olhos, pensou por um momento e acrescentou:
— Agradeço também por toda a ajuda que me deu anteriormente. A roupa que prometi desenhar para você já está pronta. Outro dia peço para um colega do ateliê enviá-la. Assim, ficamos quites. De agora em diante, é melhor que eu e o Sr. Nogueira evitemos contato.
Sentindo-se cansada, Eduarda levantou-se, pretendendo voltar ao quarto para dormir um pouco.
Aquilo era o que mais intrigava Eduarda. Ela não conseguia encontrar uma motivação para as atitudes de Franklin.
Se ele gostasse de Weleska, deveria ter feito algo para impedir que ela ficasse com Cícero.
Mas as ações de Franklin indicavam o contrário.
Isso deixava Eduarda ainda mais confusa. Seria possível que...
— Foi por causa do Cícero? Ou melhor... por causa da família Machado?
Vendo que ela havia encontrado o caminho certo, Franklin assentiu lentamente.
— Eduarda, acredite, eu nunca tive más intenções contra você. Eu apenas tenho contas a acertar com a família Machado.
Ele não queria que Eduarda se afastasse ou criasse barreiras por causa disso.
Com uma expressão melancólica, Franklin disse:
— A família Machado hoje reina absoluta, controlando tudo em Porto de Safira e sendo temida por todos. Mas no passado, na época do Adilson, não era assim.
— Naquela época, quem dividia o topo com a família Machado era a nossa família Nogueira. Todos os ressentimentos nasceram naquele tempo. — Disse Franklin.
Eduarda franziu a testa, sentindo que estava prestes a tocar em verdades antigas e profundas.

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