Ela se virou de lado para dar passagem a Franklin:
— Franklin, entre primeiro.
Franklin respondeu e entrou carregando as coisas.
Rafael captou com agilidade a forma como Eduarda chamava Franklin, muito mais íntima do que a usada com ele.
Então Rafael rondou Eduarda e perguntou:
— Por que você o chama pelo nome e a mim só de Sr. Duarte?
Eduarda sentiu uma ponta de impotência:
— Porque o senhor é meu chefe, claro que tenho que chamá-lo de Sr. Duarte.
Haveria algum problema nisso? Eduarda sentiu a cabeça doer.
Que pergunta infantil.
Mas, para Rafael, aquilo era obviamente um problema.
— Agora não é horário de trabalho, você pode me chamar de outra coisa. Tente.
Rafael insistiu, implacável.
Eduarda não abriu a boca; ela não tinha intenção de ofender o chefe.
Vendo que Eduarda demorava a falar, Rafael disse novamente:
— Ou então me chame pelo nome também, como chama ele.
Rafael apontou para Franklin.
Franklin tinha acabado de guardar as coisas e fechar a porta da geladeira.
Ao ver Rafael rondando Eduarda, ele sentiu um desconforto, não importava como olhasse para aquilo.
Franklin disse:
— Sr. Duarte, você não tem suas próprias coisas para fazer? Pelo que sei, Eduarda está de licença hoje, então ela não deveria ter que conversar sobre trabalho com o Sr. Duarte.
Rafael lançou um olhar enviesado:
— Quem disse que eu vim falar de trabalho com ela? Nós também temos assuntos pessoais para tratar.
No entanto, Eduarda, ouvindo aquilo ao lado, realmente não sabia o que ela e Rafael teriam para conversar.
Rafael continuou:
— E você? Por que apareceu na casa da Eduarda? Qual é a sua posição aqui?
Franklin caminhou devagar, ignorou Rafael e sentou-se ao lado de Eduarda, perguntando a ela primeiro:
— Como está? O corpo ainda dói?
Eduarda assentiu:
— Estou bem.
Franklin não ficou muito surpreso, ele já sabia que Eduarda queria o divórcio, apenas parecia que, no momento, Cícero estava relutante, o que era algo que ele não queria ver.
Já Rafael, do outro lado, ficou mais surpreso ao ouvir, mas depois de um momento achou que não era nada demais. O casamento de Cícero e Eduarda tinha chegado a tal ponto que o divórcio era natural; estranho seria não se divorciarem.
Cícero falou mais alguma coisa do outro lado da linha, e Eduarda, sentindo-se realmente incomodada, preparou-se para desligar.
— Sr. Machado, se continuar falando essas coisas, não teremos necessidade de comunicação. Ficamos assim. Me procure quando tiver assinado, não venha me amolar com outros assuntos.
Eduarda desligou o telefone na cara dele.
Neste momento, no escritório do presidente no último andar do Grupo Machado, Cícero ficou atordoado olhando para o telefone desligado.
Eduarda estava tão resistente a ele agora?
Isso estava claramente fora de seu controle.
Cícero queria ir até a casa de Eduarda agora para confrontá-la pessoalmente, mas Eduarda simplesmente não lhe dava o endereço detalhado.
Ele não sabia onde Eduarda morava, então como poderia encontrá-la?
Eduarda havia escapado completamente do seu campo de visão.
Enquanto Cícero ainda desconhecia o endereço dela, na casa de Eduarda, os outros dois homens estavam imersos em seus próprios pensamentos.
O olhar que trocavam não continha nenhuma boa vontade.
O diálogo entre Franklin e Rafael fez Eduarda sentir até mesmo um tom de rivalidade no ar.

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