No começo, ela não entendeu, mordeu os lábios timidamente, sinalizando que aceitava.
Enrique, porém, apenas acariciou suavemente o cabelo dela, com um olhar cheio de ternura: "Você ainda é jovem, vamos deixar essas coisas para depois do casamento."
Naquele momento, ela achou que era o jeito de Enrique demonstrar carinho. Corou e se enfiou nos braços dele.
Foi só depois que Olívia voltou, em uma ocasião em que Enrique se reuniu com os irmãos.
Ela chegou tarde e, antes de abrir a porta, ouviu um dos amigos de Enrique brincar: "Enrique, agora que a esposa voltou, quando você vai terminar com a substituta da Carla?"
Logo outro entrou na conversa.
"Pois é, se não fosse pela Carla, a esposa não teria sofrido tanto. Ela odeia a Carla."
Olívia tinha sido filha adotiva da família Santana – e era também filha da empregada deles.
Por conta de uma armação da empregada, Carla e Olívia foram trocadas ao nascer, e só perceberam quinze anos depois.
Depois disso, a família Santana trouxe Carla de volta e devolveu Olívia à família Leite, junto com um milhão de reais como compensação.
Pouco depois, Olívia foi para o exterior e cortou relações com os Santana.
Pelo visto, para os amigos de infância de Enrique, Olívia tinha sofrido por causa dela.
Mas, na realidade, nos primeiros quinze anos, ela não teve uma vida boa na casa da mãe adotiva, e quando voltou para a família Santana, o relacionamento com Dorival Santana e Queren Zamith sempre teve um certo distanciamento.
Talvez os outros não percebessem, mas Enrique sabia muito bem quem era quem entre ela e Olívia.
No entanto, Enrique apenas interrompeu com indiferença: "Não falem besteira."
Três palavras, simples, sem nenhuma explicação a mais.
Naquele instante, Carla finalmente entendeu: Enrique nunca a amou.
Ele se recusava a tocá-la para se manter fiel a Olívia.
Ela, desde o início, não passava de um substituto de Olívia.
Como era de se imaginar.
No fim, mesmo percebendo o corpo tenso de Enrique, no segundo seguinte, ele se controlou e a soltou delicadamente.
Carla olhou para a mão vazia e sentiu uma tristeza impossível de descrever.
Ela e Enrique eram amigos de infância.
Nos primeiros dias depois de voltar para a família Santana, ela era tímida e reservada, e alguns amigos de Olívia, de propósito, dificultaram sua vida, chamando uns marginais para encurralá-la no beco.
Foi Enrique quem tomou uma facada por ela.
Ele não se afastou. Na frente de Carla, atendeu no viva-voz.
Era um dos melhores amigos de Enrique.
"Irmão, faz tempo que não nos vemos! Hoje tem um tempinho, vem pro CLUBE ÁGUA, vamos reunir a galera."
"Hoje não dá."
Enrique olhou para Carla e sorriu: "Tenho que fazer companhia pra minha esposa. Só se ela quiser ir comigo, senão não vou a lugar nenhum…"
Mal terminou de falar, ouviu-se uma onda de brincadeiras do outro lado da linha.
"Vem junto, cunhada! Você e o Enrique, bora curtir."
"Isso mesmo, cunhada! Aproveita que hoje todo mundo tem tempo, vamos tomar uma juntos."
Do lado, Enrique sorria com aqueles olhos de quem sempre está brincando, olhando para ela com um ar de charme e cuidado.
A postura dele era transparente, e até no telefone todos a chamavam de cunhada, um atrás do outro.
Carla, porém, sentiu uma pontada no peito.
Afinal, não fazia muito tempo, os amigos de infância de Enrique também chamavam Olívia assim.

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