Ao vê-la voltar, ele esboçou um sorriso de canto de boca do outro lado da escada e, sem dizer nada, entrou no quarto dela.
Carla subiu ao segundo andar e percebeu que Enrique também estava lá.
Quando a viu chegar, Enrique demonstrou um leve desconforto, mas, como de costume, passou o braço por seus ombros com familiaridade: "E onde você passou a noite toda? Fez o irmão aqui morrer de preocupação."
Preocupação?
Carla apertou os lábios.
Ela estava hospedada na pousada bem em frente à casa. Se ele realmente quisesse, não teria dificuldade de encontrá-la.
"Por que mexeram nas minhas coisas?" Carla perguntou.
Olhando para as coisas amontoadas na sala, percebeu que muita coisa estava quebrada.
A voz de Enrique soou meio desinteressada, o olhar distraído: "A Olívia falou que a sombra da árvore na janela do quarto de hóspedes estava assustando ela. Por isso, resolveu trocar de quarto."
Então, só por causa de uma sombra de árvore, podiam jogar as coisas dela fora sem pedir permissão?
Carla apertou novamente os lábios. Olhando para o olhar vitorioso de Olívia, sentiu-se exausta por dentro.
Ela apenas assentiu em silêncio, vendo Olívia fechar a porta do quarto bem na sua frente.
O quarto onde Carla morou por três anos, agora tinha uma nova dona.
E Enrique, provavelmente ela também teria que devolver para Olívia.
Afinal, ela, Carla, era só um substituto.
Sem perceber, Carla apertou os dedos e baixou os olhos, descendo as escadas.
Enrique a acompanhou.
Vendo a expressão dela, Enrique arqueou as sobrancelhas, com um leve sorriso travesso naquele rosto quase irresistível: "Carlazinha ficou brava? Se Olívia ficar com seu quarto, você pode dormir comigo, que tal?"
Carla o encarou, calma.
Ele continuou sorrindo, como se achasse que tinha apresentado a melhor alternativa.
Então, ele achava que dividir o quarto com ela era um favor, e ela deveria ficar agradecida, era isso?
"Nossa Carlazinha cresceu, hein?" Enrique sorriu, curvando os lábios, e se aproximou para dar um beijo em sua testa. "Se fosse três anos atrás, você teria feito um escândalo."
Carla balançou a cabeça, afastando-se discretamente do toque dele.
Nunca mais. Ela nunca mais faria escândalo algum.
Depois que Enrique saiu, Carla ajudou a tia a arrumar rapidamente o quarto de hóspedes.
A tia, indignada, comentou: "Dona Santana, você ficou tanto tempo naquele quebra-cabeça, disse que era presente de aniversário pro senhor, me pediu segredo... e agora foi jogado fora assim..."
Carla deu um sorriso: "Vamos fingir que esse quebra-cabeça nunca existiu."
E que ela, Carla, nunca gostou de Enrique.
Enquanto arrumava as coisas, o celular de Carla apitou algumas vezes.
Era uma colega do trabalho, com quem ela tinha boa relação:
【Carla, corre aqui na empresa!】

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