A suíte presidencial estava um caos, com móveis revirados e roupas rasgadas pelo chão.
Iolanda Peregrino apertava os próprios cabelos com as mãos trêmulas, arrancando-os fio por fio.
Aquiles Silveira pegou um cobertor que estava sobre a cama desarrumada e envolveu o corpo dela.
— Você está bem, Iolanda? — ele perguntou, com a voz mansa.
Iolanda Peregrino ergueu o rosto, e o olhar que lançou a ele transbordava ódio puro.
— Foi você. Ele me disse que foi tudo armação sua, é verdade? Me diga, foi você?!
Aquiles Silveira não desviou o olhar. Ele assentiu lentamente.
— Fui eu.
— Por quê?! — Iolanda perguntou, a voz embargada, enquanto as lágrimas despencavam pelo seu rosto.
Para ficar ao lado dele, ela havia enganado Daniel, destruindo a confiança da única pessoa que a havia tratado bem.
Sua mãe havia sido levada à morte muito cedo pelas intrigas de Adriana Silveira.
Seu próprio pai nunca demonstrou qualquer afeto por ela.
Aquiles Silveira era seu único porto seguro neste mundo. A única pessoa que ela amava. Por que ele faria algo tão repulsivo contra ela?
— Por que?! Por que você foi tão cruel?! Me responde! Fala!
— Porque o diretor Goulart se interessou por você. Eu precisava garantir esse investimento de qualquer forma, ou perderia todo o meu mercado na Cidade Capital. Sem isso, como eu teria força para bater de frente com Benjamim Silveira?
— Mas, pelo seu futuro, pela sua ambição, eu tinha que ser o sacrifício? Aquiles Silveira, como você pôde ser tão podre? Tem ideia do que eu passei ontem à noite?! — Iolanda gritava em meio a soluços desesperados.
Na noite anterior, o diretor Goulart foi o primeiro a abusar dela.
O homem tinha gostos perversos e a torturou de todas as formas imagináveis.
E, como se não bastasse, quando se cansou, jogou-a para seus subordinados.
Ela estava suja!

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