A cuidadora não teve a menor delicadeza. Puxou-a com brutalidade.
Infelizmente, Helena parecia um cadáver vivo. Não tinha força nenhuma para reagir.
Ela finalmente entendeu o que Daniel sentiu quando ficou paralisado na zona norte. Naquela época, ele deve ter se sentido exatamente assim!
Não, a situação dele deve ter sido ainda mais desesperadora.
A cuidadora a largou de qualquer jeito em uma cadeira. Logo em seguida, duas mulheres entraram carregando grandes maletas.
Sem dizer uma palavra, começaram a maquiá-la e arrumar seu cabelo.
Assim que terminaram a produção, tiraram um imaculado vestido de noiva branco e a ajudaram a vesti-lo.
Helena olhou para o próprio reflexo no espelho e sentiu um frio no estômago. Ela estava começando a entender.
Nesse exato momento, Serena Mascarenhas Silveira entrou no quarto.
Com um aceno desdenhoso de mão, dispensou as funcionárias, ordenando que saíssem.
— Dona Serena, qual é o significado disso? — Helena perguntou, tensa.
Serena a ignorou completamente. Em vez disso, passeou os olhos pelo corpo de Helena, avaliando-a dos pés à cabeça.
— Maravilhosa! Uma beleza natural impressionante. Esse vestido de noiva ficou perfeito em você. Nasceu para usá-lo!
— Helena, você sabe qual é a verdadeira história por trás desse vestido de noiva?
Helena continuou calada, fuzilando-a com o olhar.
Estar ali, forçada a participar daquele teatro doentio, a enchia de repulsa. Não importava a encenação de afeto de Serena, Helena a odiava.
Odio profundo e visceral!
— Isso mesmo. Ele é meu único filho. Tudo bem que ele é um pouco lento das ideias, mas ele é louco por você! Se aceitar casar com ele, juro que passarei tudo o que tenho para o seu nome. Você consegue entender o tamanho do meu sacrifício por você, filha?
— Não, eu não entendo! Dona Serena, eu sempre cuidei da senhora com tanta dedicação. Tratei da sua saúde, olhei pelo Benjamim. E é assim que me agradece? Me dopando? Me mantendo em cativeiro neste quarto? E tem mais, eu não tenho o menor interesse no Benjamim Silveira. O homem que eu amo é o Daniel, e a senhora sabe muito bem disso! — Helena disparou, furiosa.
A expressão maternal de Serena desapareceu, dando lugar a uma frieza assustadora.
— Amor? Para que serve o amor? O amor é a coisa mais inútil deste mundo! Eu também não era perdidamente apaixonada pelo Xavier? Eu o amava a ponto de morrer por ele. Me rebaixei para casar com ele e usei toda a influência da família Mascarenhas para erguê-lo. E sabe como ele me retribuiu? Assim que nos casamos, meus pais morreram de forma muito suspeita, e meus dois irmãos sofreram acidentes fatais logo em seguida.
— Naquela época, eu ainda confiava cegamente nele. Entreguei os negócios da família Mascarenhas nas mãos dele. E o resultado? Aos poucos, tudo o que era meu virou dele e se transformou no atual Grupo Silveira! Ele me escanteou de tudo! E ainda trouxe aquela maldita Sra. PatriciaAdriana para dentro de casa só para me humilhar! Eu virei a grande piada da Cidade Capital! A chacota de todos!

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