Não era à toa que não conseguia contato com Daniel nem com a família Gomes.
E agora, ela também não tinha nenhum telefone por perto.
Helena ergueu as mãos devagar e encarou os próprios dedos.
Por que estava sem um pingo de força?
Parecia que tinham injetado um inibidor muscular fortíssimo em suas veias.
De repente, seu olhar recaiu sobre o suporte de soro ao lado da cama.
Todos os dias, a médica vinha administrar a medicação. Seria possível que o problema estivesse no líquido do soro?
Serena Mascarenhas Silveira sabia que ela não era uma presa fácil. Com certeza, havia batizado o soro com alguma substância para drenar toda a sua energia e deixá-la prostrada.
Helena passou a noite em claro, com o coração na boca, tomada pela ansiedade.
Na manhã seguinte, a cuidadora entrou no quarto.
— Hora do soro! Estenda o braço. — disse a mulher, com o tom mecânico de sempre.
Helena esticou o braço lentamente. A cuidadora espetou a agulha com uma eficiência fria e, assim que ajustou o gotejamento, virou as costas e saiu.
Assim que a porta se fechou, Helena não hesitou. Arrancou a agulha da veia num puxão brusco.
Ela levou o tubo de plástico ao nariz. O cheiro químico e amargo confirmou suas suspeitas: havia uma droga paralisante misturada ali!
Um componente a mais do que a medicação normal.
Helena lutou para sair da cama. Apoiou-se na parede, forçando as pernas trêmulas a se erguerem, centímetro por centímetro.
Estava tão frágil que parecia uma folha seca, prestes a desmoronar com um simples sopro de vento.
Com muito esforço, alcançou a bolsa de soro, tirou do gancho e se preparou para levá-la até o banheiro para esvaziar.
Mas suas pernas cederam. Sem força para ficar em pé, ela caiu no chão com um baque surdo e teve que se arrastar pelo piso frio até alcançar o ralo.
Usou os dentes para arrancar o lacre da bolsa, despejou todo o líquido no ralo e se arrastou de volta para pendurá-la no suporte!
Cerca de uma hora depois, a cuidadora voltou. Viu a bolsa completamente vazia e a agulha pendurada ao lado da cama.
Ela lançou um olhar rápido para Helena.
— O soro acabou agora há pouco, então eu mesma tirei. — Helena disse, fingindo fraqueza.
A cuidadora não desconfiou de nada. Afinal, em todas as outras vezes que administrou a medicação, Helena não havia esboçado nenhuma resistência.
— Faz tempo que não vejo o Benjamim Silveira. Como ele está?
Serena deu um sorriso polido.
— Você finalmente se lembrou do Benjamim Silveira. Que bom ver que ele ainda está nos seus pensamentos!
— Dona Serena, não quero mais fingir, e peço que a senhora também pare com esse teatro. Seja direta. Qual é o seu objetivo me mantendo em cativeiro aqui?
Serena riu, sem perder a pose.
— Eu não estou mantendo você em cativeiro. Sua saúde está fragilizada, deixei você aqui apenas para se recuperar. Tudo o que faço é para o seu próprio bem.
— Dona Serena, nós duas sabemos muito bem o que está acontecendo. Faz meia quinzena que não consigo sequer descer dessa cama. Não sei o que a senhora está injetando em mim, e muito menos me deixa sair daqui. E a senhora tem a audácia de dizer que é para o meu bem? Vamos acabar com as charadas. Diga logo o que quer de mim!
— Não seja impaciente. — Serena sorriu, com um brilho misterioso e sombrio no olhar. — Amanhã você descobrirá!
Helena não conseguiu decifrar as intenções da mulher. O que ela estava planejando?
No dia seguinte.
Helena ainda estava em sono profundo quando foi arrancada da cama pela cuidadora.

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