A tensão no rosto de Victor finalmente se desfez, dando lugar a uma gargalhada rouca.
— Hahahaha! Parece que a minha garotinha cresceu mesmo. Usando a cabeça para encurralar os inimigos!
— Pois é. Quando ele começou a confessar, eu apertei o botão de gravar no celular dentro do bolso. Agora eu tenho cada palavra dele registrada. Se ele tentar qualquer gracinha de novo, eu acabo com ele!
O choque de Victor foi visível.
Sua filha, antes tão ingênua, agora sabia jogar o jogo.
— Você não para de me surpreender. Quem te ensinou a ser tão letal assim?
— Um pouco foi a Helena. Outro pouco, o Iran Alves.
Victor concordou com a cabeça. Ele sabia que não tinha errado ao escolher as pessoas certas para cercá-la.
— Tereza, só agora entendi o inferno que você passou naquele lugar. Meu coração aperta só de imaginar o medo que você sentiu.
— Já passou, pai. Foi um pesadelo, mas a Helena e o Iran salvaram a minha vida. Eu voltei inteira e muito mais forte. Mudando de assunto... eu realmente já posso assumir a empresa?
Ele sorriu, o olhar cheio de orgulho.
— Sim. Você provou que tem fibra e inteligência para liderar.
Ela não era mais a garotinha mimada e explosiva de antes.
Agora, ela era uma mulher fria, calculista e dona do próprio destino.
E isso era tudo que ele precisava para dormir em paz.
— Minha filha, amanhã eu convocarei o conselho de administração. Vou transferir minhas ações para o seu nome e anunciá-la como a nova CEO do Grupo Freitas!
— Obrigada, pai. Mas e os tios?
— Deixe o Humberto e o Gustavo comigo. Dessa vez, não haverá misericórdia. Não me importo se o resto da família me odiar. Vou limpar o seu caminho, custe o que custar.
Tereza saiu da sala do presidente flutuando.
Finalmente. Nunca mais pisaria naquele buraco chamado Departamento de Vendas!



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