Era simplesmente inacreditável.
Não era à toa que todos ali duvidavam da veracidade daquele documento.
— O testamento é verdadeiro. A mamãe me entregou pessoalmente. Se não acreditam, podem ir investigar. Ela deve ter registrado em cartório. — respondeu Rafael.
— Conversa fiada! Eu não acredito! Não acredito! A velha nunca foi tão parcial! As pessoas que ela mais detestava eram você e a Helena, e agora vocês levam quase tudo da família Gomes?! E nós?! Vamos viver de brisa?! — estourou Adelina Gomes.
Ela não aguentou. Agarrou o testamento e o rasgou em pedaços na frente de todos!
O choque tomou conta do quarto.
Rafael olhou para ela, furioso.
— Você... você destruiu o testamento!
— Rasgou mesmo, e daí? Esse papel não vale nada! — Laura deu um passo à frente.
As duas concunhadas viviam como cão e gato, mas agora precisavam se unir contra o inimigo em comum.
Se não fizessem isso, todos os anos que passaram bajulando a velha teriam sido em vão.
Elas engoliram sapos, se rebaixaram e fizeram de tudo para agradar a matriarca na família Gomes, só para garantir uma fatia gorda da herança.
E no final, recebiam essa humilhação.
Décadas de sacrifício jogadas no lixo!
Elas jamais aceitariam isso.
— Rafael, eu também acho que esse testamento é um absurdo! Temos que redistribuir tudo, senão será uma injustiça tremenda! — exigiu Carlos.
— É isso aí, Rafael! Vamos dividir tudo de novo. A mamãe já morreu mesmo. Se a sua família levar tudo, como nós vamos sobreviver? Além disso, a Helena já é dona do Grupo Aurelis, e vocês moram no Condomínio Alto do Horizonte! Vocês não precisam desse dinheiro! Passem tudo pra gente! — sugeriu Eduardo.
Rafael olhou para a cara de pau dos dois irmãos e sentiu o estômago revirar.
Sendo muito sincero, ele nunca fez questão da herança da família Gomes.
Desde que foram expulsos de casa, sua família vivia muito bem. Eles não precisavam daquilo.

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