Carlos e Eduardo sentiram a aura imponente da matriarca e não ousaram dar um pio.
— Mamãe... mamãe... — chamou Rafael, baixinho.
De repente, a velha sentou-se na cama, completamente imóvel. Seus olhos estavam arregalados.
Rafael passou a mão em frente ao rosto dela. Nenhuma reação.
Ele checou a respiração. Nada!
— Ela morreu. — disse Helena, ao lado, com frieza.
Ela nem precisava se aproximar para conferir. Só de olhar, já sabia que a velha tinha batido as botas.
Algumas pessoas, antes de morrer, têm um último momento de lucidez, uma melhora repentina onde parecem voltar à juventude.
Mas assim que essa faísca se apaga, a vida chega ao fim.
— Mamãe! — Rafael abraçou a velha e desabou em lágrimas.
Afinal, era sua própria mãe. Não importava o que ela tivesse feito no passado, no fim das contas, ele havia perdoado tudo.
A matriarca tinha razão em uma coisa: Rafael era, de longe, o que tinha o melhor coração.
— A mamãe se foi! — disse Carlos, com os olhos marejados.
Eduardo também limpou o canto dos olhos, embora não desse para saber se a lágrima era de verdade ou se ele teve que espremer muito para sair.
Quanto a Adelina Gomes e Laura, as duas competiam para ver quem berrava mais alto.
— Ai, minha mãezinha! Por que a senhora nos deixou?! — gritou Adelina Gomes.
Mas, por dentro, ela comemorava: "Graças a Deus! Finalmente essa velha morreu! Ninguém mais vai mandar em mim."
— Mamãe! Como a senhora tem coragem de nos deixar aqui sozinhos?! Mamãe!! — berrou Laura.
E, em pensamento, completava: "Velha maldita, finalmente sobrevivi a você."
Catarina e Roberta, por outro lado, mantinham expressões gélidas. Não havia um pingo de tristeza no rosto delas.
Helena também não sentia nada. Ela havia sido trocada na maternidade e só retornou para a família Gomes dezoito anos depois.
Além disso, a matriarca sempre a tratou feito lixo. Não havia o menor laço afetivo ali.
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