No entanto, ela não pediu desculpas. Em vez disso, a questionou com raiva:
— Se você já sabia de tudo o tempo todo, por que não abriu o jogo de uma vez? Por que me deixou atuar feito uma palhaça na frente de todo mundo?!
Ouvindo o tom de voz dela, Tereza percebeu que a garota ainda não tinha entendido o tamanho do próprio erro.
— Eu mudei meu nome e entrei na empresa como estagiária porque essa foi a vontade do meu pai. Além disso, eu disse desde o começo que aquele vestido era meu e que esta casa também era minha. Você é que estava tão inebriada com os elogios vazios e com a sua própria vaidade que não quis prestar atenção. Se você tivesse usado um pouco a cabeça, não teria chegado a esse ponto ridículo.
— Ha! Então quer dizer que eu mereço ser humilhada e pisada por você?! — Antonieta Malta gritou a plenos pulmões.
— Antonieta, como você se atreve a falar assim com a Senhorita Tereza? Você... — começou o mordomo Bruno Assunção, furioso.
— Chega! Se você quer rastejar e baixar a cabeça para eles, o problema é seu, mas eu não aceito isso! Por que o meu pai não é o Presidente? Por que eu tenho que ser apenas a filha de um maldito mordomo? A culpa é sua por ser um inútil! É por sua causa que eu nunca poderei andar de cabeça erguida!
— Você... você tem a coragem de... — O mordomo Bruno Assunção arregalou os olhos, incapaz de acreditar nas palavras que acabavam de sair da boca da filha.
A garota estava cega pelo luxo. A ambição e o falso status haviam corroído sua mente a ponto de não haver retorno fácil.
— Eu não vou pedir desculpas! Eu não fiz nada de errado! Eu não errei e não vou me curvar para ela, nunca! Eu já sei que não sou bem-vinda aqui. Fiquem tranquilos, eu mesma vou embora!
Dito isso, Antonieta Malta deu as costas e saiu correndo para fora da casa.
— Antonieta...!
O mordomo Bruno Assunção olhou para as costas da filha rebelde e, tomado pela dor, estapeou o próprio rosto duas vezes, com força.
— Seu Bruno, o que você está fazendo? — Victor Freitas segurou as mãos dele.
— Presidente, a culpa é minha. Fui incapaz de ensinar minha filha direito, e por isso ela cometeu essa barbaridade. Me perdoe! Me perdoe! — lamentava o Tio Bruno, arrasado.
Victor Freitas apertou o ombro dele, compreensivo.
— Calma, não se culpe. Deixe a Antonieta esfriar a cabeça. Tudo isso é demais para ela processar de uma vez só.
Tereza também se aproximou com uma expressão suave.
— Tio Bruno, eu também não estou com raiva do senhor.
O Tio Bruno abaixou a cabeça, envergonhado e grato.


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