— É... mas não vale a pena falar sobre isso. Deixa para lá.
Iracema pegou a foto e a enfiou diretamente nas roupas da mãe.
Ela planejava guardá-la junto com os pertences dela.
— Espera, Iracema. Como eu não sabia que você tinha um irmão? Pode me falar sobre ele?
— Não há muito o que dizer. Meu irmão saiu de casa aos quinze anos.
— Disse que ia trabalhar com não sei o quê, mas nunca nos deu certeza.
— Depois, ele simplesmente desapareceu. Nem quando nossa mãe ficou doente ele voltou.
— Eu o odeio com todas as minhas forças. Preferia nunca ter tido um irmão assim.
— Já se passaram tantos anos. As pessoas por aqui já o dão como morto.
— Para ser sincera, eu também acho que ele morreu. Senão, por que ele nunca teria voltado? Deve ter morrido em algum lugar por aí.
— Só não esperava que minha mãe ainda guardasse uma foto dele.
— De qualquer forma, é como se esta família o tivesse criado em vão.
— Eu não tenho irmão, e minha mãe não tinha filho. Se tivéssemos um homem para nos apoiar, não teríamos sido tão humilhadas.
Iracema falava enquanto enxugava as lágrimas.
O coração de Helena apertou de repente.
Antes de morrer, o Quatro disse que a única coisa que não conseguia deixar para trás era sua família...
Ela havia prometido que cuidaria bem da família Gomes no lugar dele.
Mas, por muito tempo, não conseguiu encontrá-los.
E agora que os encontrou, a situação era esta.
— Você pode me dar essa foto? — perguntou Helena.
— Para que você quer a foto do meu irmão?
— Nada demais. É que ele se parece muito com um velho amigo meu. Queria guardar como lembrança.
— Helena... Por acaso você tinha um grande amor no passado, e esse homem era seu primeiro amor?
— É... acho que sim.
Helena só podia responder assim.

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