— Na verdade, nós nunca pedimos dinheiro emprestado a eles. Há cinco anos, ela veio aqui em casa arrumar confusão. O chão do pátio estava escorregadio por causa da chuva, e ela acabou caindo e quebrando a perna. Depois, exigiu que a gente pagasse. O conselho da cidade até interveio e disse que, como o acidente foi na nossa casa, a responsabilidade era nossa, e que tínhamos que pagar 50 mil reais pelas despesas médicas.
— Nós não tínhamos esse dinheiro na época, então assinamos uma promissória. Todos esses anos, a nossa condição financeira tem sido terrível. O pouco dinheiro que a minha mãe ganhava, ela usava para pagar a minha faculdade. Mas quem diria que, com o passar dos cinco anos, com juros sobre juros, ela faria a dívida chegar a 100 mil reais.
Foi há alguns dias que Iracema soube que a mãe estava à beira da morte e correu de volta para casa.
Descobriu que Nádia Silva nem sequer conseguia sair da cama. Insistiu para levá-la ao hospital, mas, assim que a velha sentiu uma leve melhora, exigiu voltar para casa, dizendo que os custos da internação eram muito caros.
E hoje, Sheila apareceu para obrigá-la a casar. Nádia Silva, já gravemente doente, não resistiu à humilhação e morreu de raiva.
Durante os últimos dois dias, Helena ficou na Cidade R para ajudar Iracema com o enterro da mãe.
— Iracema, não fique assim. — consolou Helena.
A culpa era dela. Tinha chegado tarde demais. Se tivesse se informado sobre a família de Iracema mais cedo, talvez as coisas fossem diferentes.
— Agora, eu estou completamente sozinha no mundo. — soluçou Iracema, em silêncio.
Sua única mãe tinha partido.
— Você não me tem? De agora em diante, eu serei a sua família. A gente precisa continuar olhando para frente. Se a sua mãe soubesse, com certeza iria querer que você vivesse feliz.
Iracema assentiu e começou a limpar as coisas da mãe.
Helena também ficou no quarto, ajudando-a a arrumar tudo.
De dentro de um guarda-roupa, Helena tirou uma pilha de roupas antigas que pertenciam a Nádia Silva, para separá-las.
De repente, do meio das roupas, uma foto caiu no chão.
Helena se abaixou para pegá-la. Ao olhar para a imagem, suas pupilas se contraíram. Até a ponta dos seus dedos começou a tremer.
Aquele... era o Quatro!
Era exatamente igual ao Quatro!



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