Ela nunca tinha visto alguém gastar dinheiro com tanta naturalidade.
Só alguém podre de rico faria uma coisa dessas!
— Hector, você não disse que ela não tinha onde cair morta? Como é que agora...
Antes que Antonieta Malta pudesse terminar a frase, Helena lançou um olhar gélido para os dois.
— Vocês não disseram que queriam comprar essa bolsa? Tereza, deixa com eles!
Tereza deu um sorriso de canto e empurrou a bolsa para a frente do casal.
— Toma! Podem comprar! Quem vai pagar? Antonieta Malta, é você ou o Hector Domingos? — disparou Tereza, sem rodeios.
O rosto de Antonieta Malta fechou na hora.
Hector Domingos, tentando salvar o próprio orgulho, apressou-se em responder:
— É claro que sou eu. Como homem, não é minha obrigação pagar?
Dito isso, ele sacou um cartão e entregou à vendedora.
— Passe no crédito. Pode embalar!
A vendedora olhou para o cartão, subitamente desanimada.
Aquela única bolsa não era nada comparada às trinta que Tereza havia acabado de arrematar.
— Hector, você é maravilhoso comigo. — Antonieta Malta estava quase chorando de emoção.
Hector Domingos lançou um olhar provocador para Tereza.
— Antonieta, a gente precisa ter classe na hora de comprar. Não podemos agir como novos-ricos sem o menor bom gosto.
— Você tem toda a razão.
Assim que ela terminou de falar, a vendedora voltou com o cartão na mão, visivelmente sem graça.
— Sinto muito, senhor. Seu cartão não tem limite suficiente.
Os sorrisos de Antonieta Malta e Hector Domingos congelaram no rosto!
— Como assim não tem limite? Eu tenho mais de cem mil aí...
— Senhor, a bolsa que a sua namorada escolheu custa quinhentos mil.
— O quê?! — Hector Domingos engoliu em seco, paralisado.
Até então, para agradar Antonieta, ele havia comprado joias e brincos que variavam de dezenas a, no máximo, cem mil.
Ele nunca imaginou que teria que desembolsar meio milhão numa única bolsa!

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