A noite não tardou a cair, e eles continuavam confinados no quarto.
Os guardas na porta limitaram-se a entregar três tigelas de arroz frio.
— É só... só isso que vão nos dar para comer? — Indagou Tereza.
— O que foi? Por acaso acharam que vieram para um hotel de luxo? — Zombou o guarda. — Deixem-me avisar, vocês deveriam se sentir abençoados por este primeiro dia, pois mais tarde... conseguir uma tigela de arroz dependerá inteiramente da sorte de vocês!
Os outros dois devoraram a comida avidamente, ignorando qualquer outra preocupação.
Embora Tereza Freitas estivesse sem apetite, ela sabia perfeitamente que se encontrava em um ninho de víboras.
Se não se alimentasse, talvez não sobrevivesse até o amanhecer.
Apenas para se manter viva, ela forçou-se a engolir a comida.
No meio da noite, as luzes foram apagadas.
Tereza encolheu-se em seu fino colchão improvisado no chão, totalmente incapaz de pegar no sono.
As lágrimas escorreram por seu rosto, rebeldes e incontroláveis.
— Mamãe, papai, estou com tanta saudade de vocês... — Soluçou ela baixinho.
— Helena, onde você está? Venha logo me salvar!
— Maldito Iran Alves, a culpa é toda sua! Foi você quem causou tudo isso!
Ao ouvirem o choro dela, um dos colegas ao lado interveio:
— Pare de chorar. — Disse ele. — As lágrimas não servem de nada neste lugar, o importante é sobreviver um dia de cada vez.
— Como vocês acabaram aqui? — Perguntou o outro homem.
Inicialmente, eles eram dois homens e duas mulheres, mas o fugitivo que havia sido fuzilado era um dos rapazes.
— Eu fui enganada pelo meu namorado. — Explicou a outra garota. — Eu nunca imaginei que ele se viciaria em jogos de azar e que, para pagar suas dívidas, me atrairia para este inferno e me venderia a traficantes de pessoas; eu o odeio com todas as minhas forças e, se eu conseguir sair daqui, juro que me vingarei dele!


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