Depois de espantar os moleques, Helena finalmente olhou para o homem caído no chão.
Ele aparentava ter uns vinte e poucos anos, mas estava imundo.
— Você está bem? — Perguntou Helena.
— Hihi, moça bonita, você é tão linda, moça... Moça... — O olhar do homem era límpido e, ao ver Helena, ele abriu um sorriso feliz.
Helena suspirou internamente; ele certamente tinha problemas mentais.
— Qual é o seu nome?
— Moça... Moça... Estou com fome, quero comer, moça...
O homem puxava a ponta da roupa de Helena, fazendo manha como uma criança.
Helena decidiu ajudar até o fim, pois viu que não conseguiria tirar nenhuma informação dele naquele estado.
Ela o levou a uma lanchonete próxima e comprou alguns pães para ele.
Ele pegou a comida e começou a devorar tudo vorazmente.
— Pão gostoso, obrigado, moça...
Helena notou algumas migalhas no canto da boca dele e estendeu a mão para limpá-las, mas, antes mesmo de tocá-lo, ele se encolheu no canto.
— Não vou comer mais, não como mais! Moça, não me bata! Não me bata... Não como mais...
Helena ficou sem palavras.
O que aquele pobre coitado havia sofrido?
Ela mal levantou a mão e ele já achou que seria agredido?
Será que ele sofreu abusos no passado?
— Pode ficar tranquilo, eu não vou te bater. Coma logo!
O homem olhou para Helena várias vezes e, vendo que ela realmente não iria bater nele, voltou a se agachar no canto e a comer.
Era realmente um tolinho digno de pena.
Quando ele terminou, Helena perguntou novamente:
— Agora que você está de barriga cheia, pode me dizer o seu nome?
Para sua surpresa, ele agarrou a roupa de Helena e não a deixou sair.
— Moça, não me deixe, moça... Eu não quero... Eu não quero...
— Solte, nós temos que nos separar! — Helena puxou a roupa de volta com força.
— Aaaaaah! Não quero! Não quero que a moça vá embora!
Quando Helena fez menção de sair, o rapaz começou a surtar, derrubando tudo o que estava sobre as mesas da delegacia e quebrando até um computador no chão.
Os policiais tentaram contê-lo, mas ele se jogou no chão e começou a rolar, chegando a morder o braço de um agente.
O policial, impotente, disse:
— Senhorita, por favor, não vá agora. Fique um pouco mais. Ele tem problemas e não consegue se controlar. Espere a família chegar, não vai demorar, considere isso uma ajuda para nós! — O policial não tinha outra escolha.
Como se tratava de uma pessoa com deficiência mental, eles não podiam usar medidas de força, restando apenas tentar acalmá-lo.
— Está bem.
Helena ficou ali, ao lado dele.

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