Aquela postura de mulher puritana não passava de fingimento!
Para enganar os outros, ela descia propositalmente a um quilômetro da empresa, achando que ninguém descobriria.
Ao chegar na empresa, na área de bater o ponto, Tereza encontrou Hector Domingos, que também acabara de chegar.
Hector Domingos registrou seu ponto, mantendo um olhar de julgamento fixo em Tereza.
— Hector Domingos, logo de manhã cedo, você tem algum problema? Tem alguma flor no meu rosto? Por que está me encarando? — Perguntou Tereza, irritada.
— Tereza Souza, quem diria... eu realmente não imaginava que você fosse esse tipo de pessoa.
— Que tipo de pessoa? O que você quer dizer?
— Por dinheiro, você é capaz de qualquer coisa. Na minha frente, finge ser santinha, mas não imaginava que seu apetite fosse tão grande. Eu te subestimei!
— Você é louco!
Tereza ignorou-o e entrou direto no escritório.
Pouco depois, Edileuza Lopes chegou. Atualmente, apenas ver Tereza já lhe causava irritação.
Se Tereza não saísse logo, quem acabaria saindo seria ela.
— Atenção, vamos fazer uma reunião matinal! — Anunciou Edileuza Lopes a todos.
Rapidamente, a equipe dirigiu-se à sala de reuniões. O objetivo era reportar o trabalho da semana anterior e planejar as próximas atividades.
— A seguir, temos um planejamento de vendas de um produto muito importante para fazer. Preciso que vocês se dediquem. Quem vai assumir este planejamento? — Edileuza Lopes correu os olhos pelos presentes.
Ninguém se pronunciou.
Ninguém queria assumir uma tarefa que exigiria virar noites sem pagamento de horas extras.
Só de ouvir a palavra "planejamento", eles já sentiam dor de cabeça.
— Já que ninguém se voluntaria, Tereza Souza, será você. Se não fizer bem feito, rua! — Determinou Edileuza Lopes.
— Edileuza, mas eu nunca fiz um planejamento antes, não tenho familiaridade com essa área...
— É justamente por não ter familiaridade que você deve aprender. Ou precisa que eu te ensine? A empresa não sustenta gente ociosa!
Tereza ficou em silêncio.
Após a reunião, todos começaram a cochichar, e ninguém demonstrou qualquer preocupação com Tereza.
Apenas Hector Domingos aproximou-se e disse:
— Tereza Souza, fazer planejamentos é muito difícil. Por que você não pede demissão de uma vez? Não é melhor ganhar dinheiro deitada, abrindo as pernas?
— Edileuza, você quer muito que eu peça demissão, não é?
A supervisora lançou-lhe um olhar fulminante:
— A empresa não sustenta inúteis assim!
Tereza, contudo, retrucou:
— Quanto mais você quiser que eu saia, mais eu vou ficar. Se tem coragem, peça para a diretoria me demitir!
Edileuza Lopes ficou sem resposta.
Ela estava furiosa.
Ela também não entendia por que, se a diretoria queria se livrar de uma simples funcionária, não a demitiam diretamente.
Por que insistiam que ela pedisse demissão por conta própria?
E ainda jogavam esse problema nas mãos dela.
Para piorar, Tereza era teimosa; quanto mais a pressionavam, mais ela resistia.
— Edileuza, não fique brava. Eu vou refazer o trabalho! — Disse Tereza, oferecendo-lhe uma saída diplomática.

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