Ela não podia deixar a empresa, não podia perder aquele emprego. Havia lutado por tantos anos para subir de uma simples funcionária a supervisora.
Quem tinha que sair era a Tereza!
Um brilho de inveja passou pelos olhos de Edileuza Lopes. Ela pegou uma pilha enorme de documentos, caminhou até a mesa de Tereza e os largou lá.
— Organize todos esses documentos e arquive-os na sala de arquivos ainda hoje. Caso contrário, não saia do trabalho!
Edileuza Lopes disse isso e foi embora.
Tereza ficou sem palavras.
Olhando para a pilha de papéis que era quase mais alta que ela, ficou atônita.
Um funcionário ao lado sussurrou:
— A Tereza Souza fez um grande feito dessa vez, pensei que a Edileuza fosse tratá-la melhor, mas não esperava... ela piorou ainda mais!
— Shhh, fale baixo. Acho que a Tereza Souza deve ter ofendido ela de alguma forma.
Tereza não desanimou; nada podia derrubá-la.
Ela já havia aguentado quase seis meses. Quando o tempo acabasse, seus tios não teriam mais desculpas.
Hoje, mais uma vez, ela ficou sozinha fazendo hora extra.
Todos já tinham ido embora, e Tereza foi a última a terminar de organizar os arquivos. Já era muito tarde.
— Tereza Souza, já é tarde, quer que eu te leve para casa? — Hector Domingos apareceu de repente.
— Você ainda não foi embora?
— Estava te esperando! Já te disse, você com certeza ofendeu a Edileuza para ela te perseguir assim. Se você ficar comigo, eu posso interceder por você com a Edileuza. Aí você não precisará trabalhar tanto todos os dias, sendo mandada para rua ou fazendo trabalho braçal. Olha só como você emagreceu.
— Não precisa! — Disse Tereza com desdém.
Terminando suas últimas tarefas, Tereza arrumou suas coisas para sair.
— Tereza Souza, espere um pouco! Está difícil pegar táxi lá fora agora!
Tereza parou e disse a Hector Domingos:
— Pare de me perturbar, eu tenho namorado. Como você pode ser tão cara de pau?
— E daí que tem namorado? Vocês não são casados. O que aquele segurança tem de melhor que eu?
Tereza realmente não entendia como o Grupo Freitas podia ter alguém tão sem vergonha.
Nesse momento, Iran Alves chegou dirigindo aquele carro popular.
— Saiu do trabalho? — Iran Alves se aproximou perguntando.
— O Sr. Freitas disse para irmos direto para a casa deles depois do seu trabalho, para jantarmos juntos.
— Hmpf! Ele ainda lembra que tem esta filha! — Tereza fez bico, reclamando um pouco.
Logo chegaram à residência de Victor Freitas.
A Sra. Freitas, Isador Souza, ao ver a filha, ficou com o coração apertado.
— Tereza, deixe a mamãe te ver. Você emagreceu tanto nesses últimos meses! — Isador Souza estava muito penalizada.
Sua preciosa filha nunca havia sofrido tanto.
— Mãe! Que saudade!
Victor Freitas cumprimentou Iran Alves.
— Iran, entre, sua tia fez muita comida gostosa!
Isador Souza lançou um olhar reprovador para Victor Freitas.
— A culpa é sua, insistindo para a Tereza fazer esse estágio. Ouvi dizer que na empresa ainda tem gente dificultando a vida dela!
— Dificuldades são normais, isso é o mercado de trabalho. Se ela não fizesse o estágio, os outros teriam o que falar. Ela precisa ser testada!

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