— Diretor Santos, se o senhor quitar os vinte milhões restantes, eu paro de persegui-lo.
— É preciso ter palavra nos negócios.
— Se não pagar suas dívidas, quem vai querer fazer negócios com o senhor no futuro?
— Saia, saia!
— São apenas vinte milhões, não é?
— Daqui a alguns dias mando meus subordinados transferirem.
— Pare de ser um estorvo aqui, vá embora! — O diretor Santos acenou com a mão, impaciente.
Tereza não saiu; pelo contrário, deu um passo à frente.
— Diretor Santos, o senhor já disse isso inúmeras vezes.
— Acha que eu ainda acredito?
— Vamos lá, pague o dinheiro e ficamos quites!
O diretor Santos notou que Tereza era atraente e, de repente, teve pensamentos lascivos.
Ele levantou um copo de bebida da mesa.
— Quer o dinheiro? Tudo bem.
— Mas hoje, você tem que beber comigo até eu ficar satisfeito.
— Se fizer isso, eu te dou o dinheiro!
Tereza pegou o copo e estava prestes a beber quando Iran Alves o tomou de sua mão.
— Deixe que eu bebo isso.
— Diretor Santos, já que está tão animado, eu bebo com o senhor!
— Isso é assunto de homem para homem.
— Intimidar uma mulher é covardia!
O diretor Santos olhou para Iran Alves com desprezo.
— Garoto, não tente bancar o herói.
— Isso aqui é cachaça de alambique, pura e forte!
Iran Alves curvou os lábios em um sorriso.
— Diretor Santos, não importa a bebida.
— O senhor tem coragem ou não?
— Ótimo! Gostei da atitude.
— Santos, mostre a ele a sua capacidade lendária! — Os amigos começaram a incentivar.
O diretor Santos era famoso por sua resistência ao álcool.
Diziam que ele aguentava duzentas garrafas sem cair.
Ele subiu na vida, de funcionário desconhecido até sua posição atual, graças à bebida.
O diretor Santos sorriu com desdém.
A mulher se assustou e correu para pegar a garrafa, mas a deixou escorregar na mesa, quase quebrando-a.
Paft!
O diretor Santos deu um tapa no rosto da mulher.
— Eu te mandei pegar a maldita bebida e você não consegue nem segurar?
— Quer me envergonhar?
Santos agarrou a roupa da mulher.
— Desculpe... desculpe... — A mulher estava aterrorizada.
Nem todas as acompanhantes estavam ali porque queriam; algumas eram forçadas pela vida.
Iran Alves avançou e segurou a mão do diretor Santos, defendendo a moça.
— Diretor Santos, estamos bebendo.
— Por que descontar nela?
— Venha, eu sirvo o senhor! — Disse Iran.
A mulher olhou para Iran com gratidão e recuou silenciosamente.
Iran Alves pegou a garrafa e serviu os dois pessoalmente.
Ele ergueu o copo, encarando Santos.
— Um brinde! Eu começo!

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