— Dagoberto, você faz uma coisa dessas e ainda tem a cara de pau de vir aqui reclamar?
— Eu preciso que uma mulherzinha como você controle o que eu faço? Eu sou o Vice-Presidente, e você, quem é?
Lucimar Silveira riu com desprezo.
— Vice-Presidente? Chaveiro de feira, você acha que tem cacife? É igual a um inútil!
— Tente dizer isso de novo!
— Inútil! Inútil!
— Vou acabar com você! Vagabunda!
Enquanto falavam, parecia que iam partir para a agressão física.
— Chega! Parem de brigar! — Rugiu Daniel.
Os dois pararam imediatamente.
— Caiam fora daqui. Isto é um escritório, não é lugar de barraco. Se querem brigar, vão brigar em casa! — Disse Daniel.
— Humf! Daniel, esse inútil fez uma coisa dessas e você não vai puni-lo? — Reclamou Lucimar Silveira.
— Quem é o Presidente aqui, você ou eu? Quer me ensinar a trabalhar? — Daniel lançou um olhar cortante para Lucimar Silveira.
Sua presença imponente fez com que até ela tivesse receio.
Lucimar Silveira lançou um olhar furioso para ele e saiu.
Dagoberto, vendo Lucimar Silveira se dar mal, ficou muito satisfeito.
— Inútil! Você também, fora daqui! — Disse Daniel para Dagoberto.
Dagoberto ficou sem palavras.
— Você... — Ele queria explodir de raiva.
Mas ao ver o olhar penetrante de Daniel, engoliu a fúria.
Ao passar pelo sofá ao lado, chutou-o com força.
Quando os dois saíram, viram Helena na porta.
Lucimar Silveira olhou para ela e foi embora.
Dagoberto, ao ver Helena, exibiu um sorriso cafajeste e até pensou em tirar uma casquinha.
— Ora, não é a Srta. Gomes? O que veio fazer no Grupo Silveira?
Enquanto falava, Dagoberto levantou a mão tentando tocar o rosto de Helena.
Helena abriu a vasilha térmica e o aroma da canja deliciosa se espalhou.
— Que cheiro bom. A Dona Gomes tem mãos de fada!
Daniel serviu um pouco na tigela, sentindo-se extremamente feliz.
Era a primeira vez que alguém lhe trazia canja!
Sua mãe, Adriana, nunca tinha feito canja para ele, mas fazia para Aquiles Silveira.
— É galinha caipira, criada solta na roça do subúrbio norte. A mãe do Tião que nos deu, é muito saborosa. — Disse Helena.
Daniel não comeu sozinho; primeiro ofereceu a Helena.
— Vem, come um pouco.
— Eu já comi, isso é para você!
— Não, eu faço questão de ver você comer.
Sob a insistência de Daniel, Helena tomou um gole.
— A propósito, por que aqueles dois estavam brigando no seu escritório? — Perguntou Helena, curiosa.
— Não foi nada demais. Dagoberto sempre foi um incompetente. Não fez o trabalho direito e a Lucimar Silveira não aguentou calada. Aí começaram a discutir.

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