A velha senhora disse isso e se retirou.
Em seguida, começaram a discutir o casamento de Ayrton e Catarina.
A mãe de Ayrton ainda queria protestar, mas foi impedida por um olhar de José Farias.
O assunto já estava decidido, não havia margem para recuos.
Adelina perguntou com ar de triunfo:
— Quanto a família Farias pretende dar de ajuda de custo para o casal?
— Ajuda de custo? — Perguntou a mãe de Ayrton, surpresa.
Adelina tinha ouvido dizer que, quando noivaram com Clara, Rafael e os outros pediram duzentos mil.
Ela não deixaria passar!
— Sim, ué. Casamento não envolve dinheiro? Não pedimos muito, apenas duzentos mil, o mesmo que a família do irmão mais velho. Assim está bom, certo? — Disse Adelina.
José Farias permaneceu calado, mas a mãe de Ayrton discordou imediatamente.
— Ha! Você acha que sua Catarina é feita de ouro para valer duzentos mil?
A família Gomes pediu duzentos mil e eles aceitaram apenas pela chance de se tornarem parentes de Daniel.
Quem essa família do segundo filho pensava que era para exigir duzentos mil também?
— O que você está falando? Nossa Catarina não é gente, por acaso? Vocês podiam dar duzentos mil para a Clara, por que para a nossa família tem que ser menos?
— Você quer mesmo se comparar com a Clara? Falando o português claro, foi a sua Catarina, sem vergonha nenhuma, que seduziu meu filho e arruinou o casamento dele. Nós ainda nem cobramos isso de vocês! Aceitar que ele se case com a Catarina já é por consideração à velha senhora. E ainda quer dinheiro? Vá sonhar!
— Vou te dizer uma coisa: não daremos nem um centavo. Se a sua Catarina não quiser casar, que não case. Para mim seria ótimo. Quem sabe meu filho não consiga reconquistar a Clara! Humf!
A mãe de Ayrton terminou de falar, bufou friamente e saiu.
Ela sentia que estava com a razão e não daria um tostão!
Nem se a velha senhora viesse, ela não daria!
— Vocês... vocês são excessivos demais... — Adelina estava tremendo de raiva.
— Mamãe, não fale mais nada. Eu não quero dinheiro, só de poder casar com o irmão Ayrton já está bom! — Catarina tentou acalmar a mãe.
Adelina puxou a orelha de Catarina com força.
— Foi você quem causou tudo isso! Por sua culpa seu irmão foi parar no hospital, por sua culpa eu levei uma surra com a palmatória e agora ainda tenho que aguentar essa humilhação. Como pude ter uma filha como você!
Rafael respondeu:
— Como poderia ter superado? Faz tão pouco tempo. Deixe-a digerir isso sozinha. Clara é uma menina sensata, provavelmente não quer nos preocupar!
Ao meio-dia, Amanda chamou Helena e lhe entregou uma vasilha com canja de galinha.
— Helena, leve essa canja para o Daniel. Eu mesma preparei. É galinha caipira pura, criada com milho, que a mãe do Tião nos deu. É muito nutritiva.
— Mãe, por que você pensou de repente em me mandar levar canja para o Daniel?
— O casamento da sua irmã Clara desandou e meu coração está inquieto. Tenho medo que o seu casamento com o Daniel também dê errado. Além disso, temos que agradecer a ele por ter se posicionado no caso da Clara, senão sua avó certamente teria sido parcial de novo!
— Tudo bem, eu levo! — Concordou Helena.
Calhou bem, ela poderia ir à empresa ver Daniel e descobrir o que ele estava fazendo.
Chegando à sede do Grupo Silveira.
Helena já conhecia bem o caminho.
Antes mesmo de chegar ao escritório de Daniel, ouviu sons de briga vindo de lá de dentro.

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