Helena ficou em silêncio por um momento.
Ela sorriu de canto.
— Então vou direto ao ponto. Eu me lembro que você tem um par de saltos altos da nova coleção de primavera do ano retrasado, aquele vermelho. Na época, você disse que faria uma ação promocional, edição limitada global, vendendo apenas dez pares, mas guardou um par tamanho trinta e sete para sua coleção pessoal, certo?
— Hmph! Me ligando no meio da noite, eu sabia que não era boa coisa. O que foi? Ficou de olho nos meus sapatos?
— Não, eu nem ligo para aqueles sapatos. Foram desenhados para aquele tipo de gente usar, eu mesma não uso.
Sienna ficou sem palavras.
Ela sentiu uma pontada na cabeça. Que tipo de conversa era aquela?
Um item de edição limitada global não valia nada aos olhos dela, e ela ainda demonstrava desprezo.
Afinal, foi ela mesma quem desenhou!
Realmente não agia como mãe biológica da obra, desprezando a própria criação.
— Já que você despreza, por que está me perguntando sobre eles? — Questionou Sienna.
— É que acidentalmente danificaram um par igual de outra pessoa e exigiram indenização, senão vão acabar com a minha raça. Como o erro foi nosso, e pensei que, já que você tem o sapato, poderíamos usá-lo para pagar.
— Hmph! Quem é tão cego assim? Exigir que a grande designer Aurora pague sapatos... se ela soubesse que foi você quem desenhou, não sei se teria coragem de pedir indenização!
— A pessoa é casca-grossa, não respeita ninguém, é bem provável que pedisse sim. Melhor me dar os sapatos, você tem tantos, nem consegue usar todos.
Pelo que Helena sabia, sempre que desenhava uma nova peça, Sienna guardava um exemplar para si como coleção.
— Está bem, está bem, eu dou para você! Mas o meu par é trinta e sete, tem certeza que serve nela?
Sienna não conseguia negar nada a Helena, então cedeu.
— Fique tranquila, ela também calça trinta e sete, senão eu não teria te procurado.
— Quando você quer?
— Amanhã. Mande empacotar e entregar na mansão da família Silveira!
— Reataram? Isso é ótimo. Embora os pais de Ayrton não sejam lá essas coisas, Ayrton é um bom rapaz, todos nós vemos isso. Seu pai, especialmente, sempre elogia o esforço dele no trabalho, diz que é seu braço direito!
Enquanto conversavam, Clara apareceu.
— Helena, sobre o sapato...
— Clara, não se preocupe mais. Daniel já resolveu a questão do sapato para mim. Não há nada que ele não consiga resolver, pode ficar tranquila!
Clara suspirou aliviada.
Depois que voltou, ela ligou para Elaine Lima da LAX Studio e descobriu o quão caros eram aqueles sapatos.
Realmente eram obra da designer Aurora e já estavam fora de linha. Seria muito difícil para Helena encontrar um modelo igual.
Sabendo que Daniel estava ajudando, ela se sentiu segura.
— Ah, tem mais uma coisa. Jon Gomes vai fazer o vestibular em breve e disse que quer ir para o exterior. Helena, o que você acha? — Perguntou Rafael.
Em casa, parecia que Helena havia se tornado o pilar principal; todos queriam sua opinião para tudo.

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