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Desprezada pelo Ex, Desejada pelo Magnata romance Capítulo 64

— Se fosse qualquer outra pessoa, o senhor também salvaria?

— Salvaria.

Luana soltou um suspiro de alívio no mesmo instante.

Ela não sabia ao certo o porquê, mas não queria desenvolver nenhum tipo de relação especial com Ulisses.

O ideal seria que ele a tratasse como uma desconhecida. Para ela, alguém tão inalcançável como ele jamais deveria ter qualquer interseção com a sua vida.

— Não precisa ter medo de mim — ele quebrou o silêncio de repente. — Também sou uma pessoa comum.

Luana deu um gole no chá para disfarçar o nervosismo:

— Eu não estou com medo.

— Então por que não tem coragem nem de olhar para mim?

O coração de Luana deu um salto.

Num reflexo condicionado, ela ergueu os olhos para encará-lo.

Os olhos de Ulisses eram extraordinariamente bonitos, porém de uma nitidez cortante, o que lhe conferia uma aura de autoridade e imponência inquestionáveis.

Mas era preciso admitir: ser observada com tamanha atenção por um homem daquele calibre trazia uma sensação de satisfação avassaladora.

Fazia qualquer pessoa querer endireitar a postura instintivamente.

No entanto, para Luana, o olhar dele era excessivamente profundo e indiferente, dificultando a leitura de seus verdadeiros pensamentos.

— É só que... — Luana ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Não somos íntimos.

— Ficaremos, a partir de agora — declarou ele. — Você e a Bruna são amigas. No futuro, se precisar de qualquer coisa, pode me procurar.

— Não será necessário — ela se apressou em recusar. — Eu já sou extremamente grata pelo o que o senhor fez por mim.

— E como pretende me agradecer?

Luana olhou para ele abruptamente, achando que tinha escutado mal.

— O quê? Achou que seria apenas da boca para fora?

A vergonha e o constrangimento tomaram conta dela. Não esperava que Ulisses realmente fosse cobrar uma retribuição.

Mas, pensando bem, apenas palavras soariam como uma enorme falta de sinceridade.

A questão era: o que um homem como Ulisses poderia querer que ele já não tivesse?

— Eu não sei — respondeu com honestidade. — Que tipo de agradecimento o Sr. Serpa gostaria de receber? Farei o que estiver ao meu alcance.

Ulisses a observava, os olhos escondendo emoções que ninguém conseguiria decifrar.

— Da última vez, te encontrei na loja de alfaiataria. Você também faz roupas?

— Eu trabalho com design de moda — explicou Luana.

Ele assentiu com a cabeça:

— Então desenhe e faça uma peça de roupa para mim, como forma de agradecimento. Não acho que seja pedir muito.

Um homem daquela estatura pedindo para adicioná-la em um aplicativo de mensagens!

A verdade é que estar a sós com ele ainda a deixava desconfortável.

De maneira quase irracional, a lembrança daquele beijo continuava voltando à sua mente.

Afinal de contas, tinha sido o seu primeiro beijo.

E ela o havia entregado de uma forma tão confusa.

A julgar por quão quente e experiente o beijo de Ulisses fora, quem saberia quantas mulheres ele já havia beijado antes...

— É inconveniente?

A voz de Ulisses trouxe-a de volta à realidade.

Ela despertou de seus pensamentos sobressaltada.

O que estava pensando?!

O que o número de garotas na vida de Ulisses tinha a ver com ela?

— Não, claro que não — apressou-se em responder.

Jamais em toda a sua vida ela imaginaria que um dia estaria adicionando o número pessoal de Ulisses.

A foto de perfil dele era extremamente minimalista: o cume de uma montanha coberto por neve alva, sob um céu de um azul límpido.

O nome era ainda mais simples, apenas uma letra: "S".

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