— Se fosse qualquer outra pessoa, o senhor também salvaria?
— Salvaria.
Luana soltou um suspiro de alívio no mesmo instante.
Ela não sabia ao certo o porquê, mas não queria desenvolver nenhum tipo de relação especial com Ulisses.
O ideal seria que ele a tratasse como uma desconhecida. Para ela, alguém tão inalcançável como ele jamais deveria ter qualquer interseção com a sua vida.
— Não precisa ter medo de mim — ele quebrou o silêncio de repente. — Também sou uma pessoa comum.
Luana deu um gole no chá para disfarçar o nervosismo:
— Eu não estou com medo.
— Então por que não tem coragem nem de olhar para mim?
O coração de Luana deu um salto.
Num reflexo condicionado, ela ergueu os olhos para encará-lo.
Os olhos de Ulisses eram extraordinariamente bonitos, porém de uma nitidez cortante, o que lhe conferia uma aura de autoridade e imponência inquestionáveis.
Mas era preciso admitir: ser observada com tamanha atenção por um homem daquele calibre trazia uma sensação de satisfação avassaladora.
Fazia qualquer pessoa querer endireitar a postura instintivamente.
No entanto, para Luana, o olhar dele era excessivamente profundo e indiferente, dificultando a leitura de seus verdadeiros pensamentos.
— É só que... — Luana ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Não somos íntimos.
— Ficaremos, a partir de agora — declarou ele. — Você e a Bruna são amigas. No futuro, se precisar de qualquer coisa, pode me procurar.
— Não será necessário — ela se apressou em recusar. — Eu já sou extremamente grata pelo o que o senhor fez por mim.
— E como pretende me agradecer?
Luana olhou para ele abruptamente, achando que tinha escutado mal.
— O quê? Achou que seria apenas da boca para fora?
A vergonha e o constrangimento tomaram conta dela. Não esperava que Ulisses realmente fosse cobrar uma retribuição.
Mas, pensando bem, apenas palavras soariam como uma enorme falta de sinceridade.
A questão era: o que um homem como Ulisses poderia querer que ele já não tivesse?
— Eu não sei — respondeu com honestidade. — Que tipo de agradecimento o Sr. Serpa gostaria de receber? Farei o que estiver ao meu alcance.
Ulisses a observava, os olhos escondendo emoções que ninguém conseguiria decifrar.
— Da última vez, te encontrei na loja de alfaiataria. Você também faz roupas?
— Eu trabalho com design de moda — explicou Luana.
Ele assentiu com a cabeça:
— Então desenhe e faça uma peça de roupa para mim, como forma de agradecimento. Não acho que seja pedir muito.
Um homem daquela estatura pedindo para adicioná-la em um aplicativo de mensagens!
A verdade é que estar a sós com ele ainda a deixava desconfortável.
De maneira quase irracional, a lembrança daquele beijo continuava voltando à sua mente.
Afinal de contas, tinha sido o seu primeiro beijo.
E ela o havia entregado de uma forma tão confusa.
A julgar por quão quente e experiente o beijo de Ulisses fora, quem saberia quantas mulheres ele já havia beijado antes...
— É inconveniente?
A voz de Ulisses trouxe-a de volta à realidade.
Ela despertou de seus pensamentos sobressaltada.
O que estava pensando?!
O que o número de garotas na vida de Ulisses tinha a ver com ela?
— Não, claro que não — apressou-se em responder.
Jamais em toda a sua vida ela imaginaria que um dia estaria adicionando o número pessoal de Ulisses.
A foto de perfil dele era extremamente minimalista: o cume de uma montanha coberto por neve alva, sob um céu de um azul límpido.
O nome era ainda mais simples, apenas uma letra: "S".

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Desprezada pelo Ex, Desejada pelo Magnata
Continua bloqueado os capitulos do 30 a 144, como podemos ler os outros gratuitos assim?????????...
Poxa....Desbloqueia do 30 ao 144, pq do 145 para frente estão desbloqueado....
Pq tá bloqueado do 30 até o 144, e não bloqueado do 145 até o 165?...
Não vai abrir os capítulos gratuitos? Quero muito ler!...
Vai ter atualização?...
Esse livro é muito bom! Libera mais capítulos grátis por favor!...