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Desprezada pelo Ex, Desejada pelo Magnata romance Capítulo 63

Assim que a porta se abriu, os olhos dele recaíram diretamente sobre Luana.

Clarice, por ser experiente, percebeu a anomalia no mesmo instante.

Luana, sendo o foco daquele olhar tão intenso, jamais conseguiria ignorá-lo.

Apenas Bruna, na sua inocência habitual, não percebeu nada.

Embora, no fundo, nutrisse amor e respeito por aquele primo — gostava muito dele, mas também tinha um medo genuíno.

Sendo a mais velha ali presente, Clarice tomou a palavra:

— Claro que não interrompe. Entre logo, vou pedir para servirem mais alguns pratos.

Ulisses caminhou até a mesa e sentou-se. Tirou o paletó, desabotoou os punhos da camisa com seus dedos longos, revelando uma elegância natural em cada movimento.

Luana desviou o olhar às pressas, abaixou os olhos e, como se tentasse disfarçar, pegou a xícara de chá para dar um gole.

Já que a desculpa era um assunto urgente, Clarice, com medo de ser desmascarada, começou a falar sobre negócios com ele.

Bruna e Luana estavam sentadas do outro lado. Preocupada com o desconforto da amiga, Bruna baixou o tom de voz e começou a tagarelar sobre as coisas que havia visto em sua última viagem a trabalho.

A bandeja giratória da mesa moveu-se um pouco e logo parou.

Luana ergueu sutilmente os olhos e viu que um dos seus pratos favoritos havia parado bem na sua frente.

Bruna, sem perder tempo, serviu uma porção generosa para ela:

— Luana, come mais um pouco. Esse não é o seu favorito?

Instintivamente, Luana olhou na direção de Ulisses, apenas para cruzar o olhar com o do homem.

Como se tivesse levado um choque, ela desviou os olhos apressadamente.

Os dedos firmes do homem soltaram a borda da bandeja giratória e ele tomou um gole de chá com a maior naturalidade.

Pouco tempo depois, Clarice levantou-se para atender a uma ligação lá fora.

Era sobre trabalho.

Assim que desligou, viu que havia recebido uma mensagem de Ulisses.

Dizia: "Arranje uma desculpa e tire a Bruna daqui."

Ele queria ficar a sós com Luana?

Clarice sentiu a dor de cabeça voltar.

Era evidente que Luana não nutria bons sentimentos por ele; pelo contrário, parecia até rejeitá-lo.

Naquela noite no iate, o olhar de Kléber a fez sentir como se fosse a presa de uma cobra peçonhenta.

Mas Ulisses não era uma cobra.

Ele era um predador de grande porte, muito mais perigoso.

Cobras causam repulsa.

Ulisses, por outro lado, causava tensão e um pavor silencioso.

Incapaz de suportar aquela atmosfera quase sufocante por mais tempo, Luana ergueu os olhos e, como esperado, encontrou o olhar dele.

O homem a observava com olhos profundos como o oceano, carregados de um mistério insondável.

— Sr. Serpa... — Luana sustentou o olhar dele, medindo as palavras cuidadosamente: — Acho que, possivelmente, lhe devo um agradecimento.

Os lábios finos de Ulisses se moveram de leve:

— Por quê?

— Pelo o que aconteceu no iate... — Luana forçou-se a continuar. — Obrigada. Se não fosse pelo senhor, eu talvez tivesse... Enfim, muito obrigada.

— Já que embarcou no meu iate, sua segurança passou a ser minha responsabilidade — disse Ulisses em tom sereno. — No meu barco, eu não permito que nada aconteça a ninguém.

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