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Depois do Divórcio: Te quero de volta romance Capítulo 48

Lorenzo Ricci

Dois anos depois a minha vida tinha finalmente encontrado um equilíbrio que eu jamais imaginaria ser possível. A máfia corria nas minhas veias, algo que lutei para negar, mas que agora era tão parte de mim quanto o ar que eu respirava. A advocacia, o caminho que escolhi para ter algo meu, também florescia. Minhas empresas eram um império, e minha vida estava no ápice do poder. Mas, acima de tudo, havia Amber. Minha noiva, minha âncora, minha força.

Há quase um ano, pedi Amber em casamento. Não houve hesitação nos seus olhos, apenas um amor puro que refletia o que eu sentia por ela. Nosso casamento estava marcado para daqui a dois meses. Ela era minha, e eu era dela. Pelo menos, era o que eu acreditava.

Naquela manhã, enquanto eu revisava os últimos detalhes de uma viagem surpresa para Amber conhecer meus pais, um plano perfeito tomou forma na minha mente. Eu queria mostrar a ela minhas raízes, o lado mais humano de mim, longe do peso da máfia e das responsabilidades. Subi a longa escadaria da mansão com um sorriso no rosto, carregando a pequena caixa de presente que havia comprado para ela: um colar de diamantes em forma de coração. Era simples, mas carregava um significado profundo.

Cheguei ao corredor do nosso quarto, as portas levemente entreabertas. Antes de entrar, ouvi as vozes delas. Era a voz de Amber e sua melhor amiga, Charlotte. Algo no tom delas me fez hesitar. Não era comum Amber falar de mim quando estava com Charlotte, mas o que escutei em seguida destruiu tudo o que eu acreditava.

— Não me arrependo, Charlotte. Não podia ter um filho daquele homem. — Sua voz estava cheia de uma frieza que eu jamais havia escutado.

Senti meu corpo congelar. Minha mão, que segurava a caixa de presente, tremeu, eu me vi completamente em fúria.

— Mas você nunca contou para ele? — perguntou Charlotte, chocada.

— Nunca. E não vou. Eu não quero nunca isso, ele não é alguém que eu queria como pai de um bebê meu.Charlotte. Eu não poderia e nem queria.

A dor que senti foi instantânea, como se um punhal tivesse atravessado meu peito. Amber estava falando sobre mim... e sobre um filho nosso que ela havia tirado.

— Foi melhor assim. — Ela suspirou. — Eu abomino tudo o que ele representa.

Aquela palavra, abomino, ecoou na minha mente. Como ela podia dizer isso? Ela era minha companheira, meu porto seguro. Ou pelo menos era o que eu acreditava.

Empurrei a porta, e ela se abriu com força. Amber e Charlotte viraram-se abruptamente, seus rostos transformados em pavor.

— Lorenzo... — Amber começou, sua voz baixa, como se ela tivesse acabado de perceber que o inferno havia se aberto.

— Você não precisa dizer mais nada. — Minha voz saiu firme, mas dentro de mim o caos era absoluto. Larguei a caixa de presente na cama, cruzando os braços enquanto encarava o que restava da mulher que eu acreditava amar.

— Lorenzo, me deixe explicar...

— Explicar o quê? — A interrompi, minha voz aumentando. — Que você abortou nosso filho sem ao menos me contar? Que você abomina quem eu sou? Você sabia desde o início quem eu era, Amber! Você sabia que a máfia fazia parte da minha vida, e me incentivou a isso e mesmo assim ficou ao meu lado. E agora diz que eu não sou digno de ser pai?

Ela começou a chorar, mas suas lágrimas não despertavam mais a compaixão que antes dominava meu coração.

— Eu estava com medo! — gritou, tentando justificar.

— E decidiu isso sozinha? — Me aproximei dela, cada palavra carregada de desprezo. — Um filho nosso, Amber. Não era só seu. Você não tinha esse direito!

Ela tentou se aproximar, mas recuei, erguendo uma mão para impedir.

Ri, mas foi um riso sem humor, vazio.

— Você ama? Porque tudo o que ouvi foi que você abomina quem eu sou. Você não me ama, Amber. Você ama a ideia do homem que eu poderia ter sido, e não do homem que sou. Agora vá embora antes que eu peça para alguém te tirar à força.

Ela finalmente começou a recolher suas coisas, seus soluços enchendo o quarto. Eu a observei em silêncio, cada movimento dela só aumentando o buraco no meu peito. Quando ela terminou, segurou a mala com mãos trêmulas e olhou para mim uma última vez.

— Um dia, você vai me entender.

— Não, Amber. Eu nunca vou.

Ela saiu, e o som da porta se fechando foi como um golpe final.

Fiquei ali, sozinho, olhando para o vazio do quarto que agora parecia frio e estéril. A caixa de presente continuava na cama, uma lembrança cruel do que poderia ter sido.

Caminhei até a janela, olhando para o céu estrelado. Por mais que a dor fosse insuportável, uma coisa era certa: eu nunca mais permitiria que alguém entrasse no meu coração.

Amber havia destruído o último fragmento de humanidade em mim, e agora, tudo o que restava era o homem que o mundo queria que eu fosse. Lorenzo Ricci, o advogado impecável. O mafioso implacável. E, acima de tudo, um homem que não acreditava mais no amor.

continua...

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