Isabella Duarte Ricci
Uma semana depois daquele jantar com o Tomas, eu saí para ir ao aniversário do meu sobrinho. A noite estava perfeita. As luzes douradas brilhavam suavemente, iluminando cada canto do enorme jardim onde a festa acontecia. Balões coloridos flutuavam no ar, enquanto crianças corriam animadas, rindo e brincando ao redor das mesas decoradas com tons de azul e dourado.
Eu observava tudo com um sorriso terno nos lábios. Sentada em uma cadeira confortável, acariciava minha barriga já evidente, sentindo os leves chutes dos meus filhos. Era uma sensação mágica, como se suas pequenas vidas estivessem comemorando junto com a família naquele dia especial.
— Eles estão chutando? — perguntou Aurora, minha irmã, ao se sentar ao meu lado.
— Sim — respondi, levando a mão dela até minha barriga. — Estão animados, acho que sentem a felicidade no ar.
Aurora sorriu emocionada. Estava tão feliz com minha presença na festa do pequeno Theo.O meu sobrinho estava radiante, cercado de amor e carinho por toda a família. Meus pais, Lorenzo e Camila, estavam perto da mesa do bolo, conversando animadamente com os convidados. Meus avós, Anny e Miguel, seguravam o pequeno aniversariante, que gargalhava feliz com as palhaçadas do avô.
Derick, marido de Aurora, ajudava a organizar os últimos detalhes antes do momento do parabéns. Tudo parecia perfeito. Uma noite de pura alegria, um daqueles momentos raros que eu queria guardar para sempre na memória.
— Vejo que está feliz. — A voz do meu pai me despertou de meus pensamentos.
— Muito. — Sorri. — É bom estar com todos, ver Theo tão animado e cercado de amor.
Meu pai assentiu, seus olhos brilhando com orgulho e carinho.
A festa seguiu animada. O parabéns foi um momento especial, com Theo batendo palmas empolgado e lambuzando-se com o bolo. Eu não conseguia parar de sorrir, sentindo-me parte de algo genuinamente bonito.
Quando a noite começou a esfriar e os convidados começaram a se despedir, senti um cansaço leve se instalar. O dia havia sido longo, e eu sabia que precisava descansar. Despedi-me da família com abraços apertados e sorrisos calorosos antes de seguir até meu carro.
O motorista já me aguardava. Entrei no banco de trás e recostei-me com um suspiro. Mas, poucos minutos depois, percebi que o carro havia pegado um caminho diferente. As ruas bem iluminadas foram sendo substituídas por um trajeto mais deserto.
— Para onde estamos indo? — perguntei, sentindo um arrepio percorrer minha espinha.
O motorista permaneceu em silêncio por um instante antes de responder:
— Me pediram para te deixar em um lugar específico.
Meu coração acelerou.
— Quem pediu? — insisti, tentando manter a calma.
— Não posso dizer, senhora. Parece que terá uma surpresa. Só estou seguindo ordens do meu chefe. — Sua voz era neutra, mas algo na forma como falou me fez sentir um medo real. Foi então que percebi um detalhe que não havia notado antes: ele usava uma máscara preta que cobria parte do rosto.
Meu instinto entrou em alerta máximo. Minha mão foi imediatamente para dentro da bolsa, onde minha arma estava guardada. Mas, antes que eu pudesse puxá-la e agir, um cansaço inesperado tomou conta do meu corpo.
Meus olhos pesaram, minha visão começou a embaçar. Um cansaço incontrolável me dominou, como se uma névoa densa estivesse nublando minha mente.
— O que... o que você fez?Onde está os meus seguranças? — murmurei, sentindo meu corpo amolecer.
A última coisa que vi foi o reflexo do motorista pelo retrovisor. Seu olhar frio, sem qualquer resquício de hesitação.
Depois disso, tudo ficou escuro.
Dimitri Carter
Meu telefone vibrou sobre a mesa. Peguei-o imediatamente e atendi sem hesitação.
— Ok, já estou aguardando. — Minha voz saiu fria e firme.
Desliguei e expirei lentamente, sentindo a adrenalina pulsar em minhas veias. O impensável havia sido feito . Eu só precisava esperar mais um pouco.
Eu observava a equipe médica organizando tudo ao meu redor. O hospital agora era meu, comprado para garantir que Isabella e minha filha recebessem o melhor tratamento possível. Nada nem ninguém me impediria de protegê-las.
Quando Isabella chegou, ainda dormia. Seu rosto sereno me prendeu por um momento. Linda, mesmo após tudo o que aconteceu. Mas eu sabia que, assim que acordasse, seu temperamento forte se manifestaria. E não demorou muito.
Seus olhos se abriram devagar, ajustando-se à claridade, até que me viram. Assim que percebeu onde estava, sua expressão mudou para pura fúria.
— Você só pode estar louco! — sua voz soou ríspida, mas ainda fraca. — Meu pai não vai te deixar vivo depois do que fez! Você mexeu com a mulher errada. Eu mando na Itália toda, e você sabe disso!
Cruzei os braços, observando-a com calma. Sua ousadia sempre me fascinou.
— Não se esforce, Isabella. Você ainda está se recuperando. — Mantive minha voz firme, mas o tom de preocupação escapou sem que eu quisesse.
— Não me diga o que fazer! — Ela tentou se levantar, mas o esforço a fez ofegar. Seus olhos faiscavam de raiva, e eu sabia que aquela batalha seria intensa.
Soltei um riso seco. Isabella não sabia o que significava desistir.
— Eu sei exatamente com quem estou lidando, querida. E não me importo. — Aproximei-me, sentando na beira da cama. Ela me lançou um olhar mortal, mas não recuei. — Comprei este hospital para garantir que você tenha o melhor tratamento possível para o dia do parto. Não pense que vou deixá-la partir tão facilmente.
Ela me olhou, o peito subindo e descendo rapidamente, como se tentasse absorver tudo. Sabia que eu não estava blefando.

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