Depois de dizer isso, ele não olhou mais para minha expressão. Augusto tirou o paletó do terno, pendurou-o no cabide e se virou para Laís.
— Minha querida, fique aqui com a mamãe por um momento. Vou até a cozinha preparar algo para vocês comerem.
Os olhos de Laís se arregalaram de surpresa, e ela perguntou, incrédula:
— Papai, você sabe cozinhar?
Instintivamente, eu também lancei um olhar para ele.
Na minha memória, Augusto jamais havia colocado os pés na cozinha.
E, como esperado, ele ficou por um instante sem reação diante da pergunta da filha. A expressão dele ficou um pouco constrangida antes de responder:
— Eu não sabia antes, mas posso aprender agora. Fique quietinha e espere, vai ser rápido.
Depois que ele saiu, Laís veio para perto da cama e me olhou com um pouco de irritação.
— Você não pode tratar meu pai de um jeito melhor? Ele veio cuidar de você com a melhor intenção, e tudo o que você faz é tentar mandar a gente embora! Papai acabou de chegar do aeroporto, ele também está cansado, sabia?
Eu me recostei na cabeceira da cama, fechei os olhos e não respondi.
Não era que eu não quisesse me explicar, mas eu realmente não tinha forças para isso.
Além disso, Laís havia sido criada por Augusto. Para ela, ele sempre seria o mais importante.
As dores e os ressentimentos que existiam entre mim e Augusto, mesmo que eu tentasse explicar em detalhes, ela nunca iria entender.
Pouco tempo depois, um cheiro forte de queimado chegou até o quarto.
Laís, que percebeu imediatamente, saiu correndo em direção à cozinha.
Logo, ouvi de longe a voz dela reclamando:
— Papai! Como você é desastrado! Até uma canja você conseguiu queimar!
Alguns minutos depois, Augusto voltou ao quarto carregando um copo com água.
— Tome o remédio. Quanto à comida… Vou pedir para o Felipe trazer algo daqui a pouco.
As sobrancelhas dele se franziram profundamente, e, no olhar dele, havia uma teimosia quase desesperadora:
— Débora, eu e a Mônica estamos juntos só por conveniência. Eu preciso dela por causa do valor comercial que ela representa, mas nunca vou me casar com ela. E, claro, também não vou me divorciar de você.
Eu não consegui segurar uma risada irônica:
— Augusto, por um tempo, eu achei que a Mônica fosse especial para você. Mas agora vejo que, para você, todas as mulheres são descartáveis.
O olhar de Augusto ficou sombrio, e ele abaixou os olhos lentamente.
Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de falar, com uma voz baixa e contida:
— Débora, você se lembra daquela noite em que eu fui te procurar enquanto nevava? Naquela noite, eu fiquei parado por muito tempo lá embaixo, no frio, olhando você com Thiago e aquela garotinha, todos brincando de fazer bonecos de neve. Eu… Fiquei muito triste.
Ele fez uma pausa, respirou fundo e continuou:
— Naquela noite, eu pensei muito. Sempre achei que o que sentia por você era apenas um tipo de carinho entre irmãos. Mas agora percebo que, na verdade, o que eu sinto por você é amor. Amor de homem e mulher.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...