Pegou o celular e, como suspeitava, era realmente o Carlos quem estava ligando.
“Alô, Carlos...”
“Ayla, onde você foi? A Sra. Martins disse que não conseguiu falar com você.” Do outro lado da linha, Carlos falou com preocupação.
“Eu estava em casa dormindo, deixei o celular na bolsa, não ouvi...”
Ela explicou, um pouco sem jeito. Quando Carlos disse que já estava a caminho, ela se apressou em recusar: “Não precisa, estou bem, a Larissa está aqui, não venha, por favor.”
Carlos ainda parecia inseguro. “Você tem certeza de que está bem?”
“Sim... Eu só dormi demais e acordei meio confusa.”
Carlos sabia que ela tinha ido visitar as crianças naquele dia, imaginou que ela não estivesse se sentindo muito bem e queria vê-la.
Mas, diante de tantas recusas, Carlos não insistiu e apenas recomendou que ela ligasse caso precisasse de qualquer coisa, desistindo de ir até lá.
Após encerrar a ligação, Larissa se aproximou com um copo de água quente e lhe entregou. “Ninguém conseguiu falar com você, achei até que tivessem te levado de volta para algum tipo de isolamento.”
Ayla tomou a água quente, sentindo certo alívio na garganta, mas sua cabeça continuava pesada, meio atordoada.
Levantou a mão e percebeu um leve calor na testa.
“Fui visitar as crianças, realmente encontrei com ele... Mas ele não me incomodou muito...” Falou em tom suave.
“E então, o que aconteceu com você?” Larissa percebeu que ela não estava apenas mal fisicamente; algo também a perturbava por dentro.
Ayla sentou-se no sofá, lembrando-se do telefonema de Daniela e dos sonhos que tivera. Seu humor tornou-se novamente deprimido e irritadiço.
Larissa, ao vê-la tão dispersa e sem forças até para conversar, suspirou e não insistiu no assunto. Apenas perguntou: “Já são quase sete horas, o que vai querer jantar?”

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