No metrô a caminho de casa, Ayla permaneceu absorta, completamente alheia a tudo ao redor.
Muitas cenas da infância passaram rapidamente por sua mente, como se fossem imagens de um filme...
Aquela menina que, todos os dias, esperava à beira da calçada, os olhos ansiosos por algo que nunca vinha.
Aquela menina que chorava chamando pela mãe, que até nos sonhos murmurava pedindo para a mãe voltar logo.
Aquela adolescente que, sem entender o que era menstruação, arrastava as pernas cobertas de sangue, perdida e confusa.
Aquela menina que, cercada e zombada por um grupo de colegas maldosas, ouvia palavras cruéis sobre ser órfã e digna de pena.
E tantas outras memórias...
Durante toda aquela infância e adolescência, marcadas por solidão e maus-tratos, ela nunca deixou de esperar pelo retorno da mãe, sonhando que a mãe a protegeria, aqueceria e apoiaria.
Mas dia após dia de esperança e expectativa só aumentaram a decepção e a dor.
Até que, mais tarde, ela deixou de esperar e aprendeu a ser forte por si mesma.
O sofrimento e a dor de tantos anos já haviam se tornado parte de sua vida, e ela finalmente aceitara o fato de não ter mãe.
Mas, agora, por que ela reaparecera de repente?
A mãe não havia morrido, estava viva e bem; então, o que teria levado aquela mulher a abandonar a própria filha de forma tão definitiva e cruel?
Se não tivesse sido mãe, Ayla talvez jamais compreendesse esse sentimento de laço de sangue.
Justamente por ter tido uma filha, por ser mãe, ela entendeu o quanto é cruel a dor da separação de um filho.
Ao lembrar da filha agarrada a seu ombro, relutante em soltá-la, puxando sua roupa e cabelos, sentiu o coração despedaçar—como aquela mulher pôde deixá-la aos cuidados de avós idosos e doentes, sem se importar se a menina viveria ou morreria?
Sem perceber, lágrimas cobririam seu rosto. Ao chegar ao apartamento, continuou desanimada, sentindo-se mal por dentro e por fora, sem saber distinguir se era dor física ou emocional.
Movida pelo instinto, subiu para o sótão, deitou-se na cama sem sequer tirar a roupa, enfiou-se sob o cobertor e adormeceu, perdida em meio à confusão interior...

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