Você não consegue perceber que eu gosto de você, Inês...
Não percebe que eu gosto de você, Inês...
Eu gosto de você, Inês...
Inês...
Inês caiu na cama sem sequer tirar a roupa, com aquelas palavras ecoando incessantemente em seus ouvidos.
Ela sabia.
O tratamento diferenciado de Rodrigo podia, no início, ser justificado como um benefício mútuo entre contratante e contratada, ou até mesmo usando Alice como desculpa. Mas, desde que voltaram da Cidade GIO, esses motivos e desculpas não serviam mais.
O que transbordava dos olhos de Rodrigo, ela sabia muito bem o que era.
Ela também queria, como Dona Cláudia havia dito, ser como num experimento repetido milhares de vezes: mesmo que falhasse, teria a coragem de recomeçar do zero.
Mas... e se, por acaso, ela encontrasse outro "Abel"?
Não.
Rodrigo não era como Abel.
Compará-lo a Abel não era justo.
Ela já nem sabia mais o que era o amor, e quem poderia garantir que Rodrigo era a resposta certa para seus sentimentos?
Inês teve insônia.
Rolava de um lado para o outro na cama.
Ultimamente, quando não conseguia dormir, ela tinha o hábito de acariciar inconscientemente a chave de latão esculpida que usava pendurada no pescoço.
Até mesmo aquela chave havia sido um presente de aniversário de Rodrigo.
Inês soltou a chave silenciosamente.
Virou-se e disse a si mesma para dormir logo. No dia seguinte, a Dra. Barros e Mike chegariam. Teria que buscá-los no aeroporto, levá-los ao hotel já reservado e, à noite, jantariam ali. Aproveitando o feriado de Ano Novo, ela poderia levar os dois para passear pela Cidade Alvorecer e, durante a semana, levaria Mike ao hospital para exames...
Inês repassou todos os planos mentalmente, mas o sono não veio.
[Boa noite, Inês]
Uma mensagem chegou, fazendo o celular acender uma luz fraca no escuro, que iluminou suavemente o rosto de Inês.
Ela imaginou que fosse de Rodrigo.
Pegou o celular para olhar e, como esperado, era ele.
Inês ficou olhando para a tela de conversa entre os dois, perdida em pensamentos por um bom tempo.
Depois de muito ponderar, ela acabou respondendo: [Boa noite]
Inês não respondeu mais.
Ele guardou o celular, voltou para o quarto e decidiu ligar para a irmã.
— Irmão, meu querido irmão! São três da manhã e eu acabei de pegar no sono. Se não for uma notícia maravilhosa, eu nunca vou te perdoar!
— Me envia o vídeo da beira do rio. — ordenou Rodrigo.
— Tem que ser agora? Eu sou sua irmã de sangue, sabia?! — A voz exasperada da irmã soou do outro lado da linha.
— A menos que você me implore. — Alice acrescentou rapidamente.
— Tudo bem, eu imploro. — cedeu Rodrigo.
Para conseguir o vídeo dele com Inês, aquele pequeno capricho não era nada.
Alice ficou totalmente sem palavras.
— Esse aí não pode ser o meu irmão... — Ela olhou para o celular, incerta, e murmurou baixinho.
— O que você disse?
— Nada não. — Alice levantou-se da cama num pulo. — Já que você me implorou, vou fazer o sacrifício de exportar o vídeo e te enviar. Passo o link da nuvem.
— Certo. — Rodrigo desligou o telefone. Foi tomar um banho quente e, quando saiu, Alice já havia enviado o link do vídeo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...