Ele foi ao escritório, ligou o computador para salvar o vídeo e criou uma nova pasta criptografada chamada "Inês". As fotos que havia tirado com o próprio celular também foram transferidas para a pasta.
O vídeo durava mais de quarenta minutos, e Rodrigo assistiu em silêncio durante todo esse tempo, com os olhos fixos em Inês.
Observou o cabelo dela sendo levado pelo vento, a maneira como ajeitava suavemente o cachecol, a ligeira surpresa ao notar a lente da câmera, e o sorriso que exibiu durante a foto em grupo.
Os lábios ainda cerrados formavam uma curva suave. Os olhos brilhavam, as mãos estavam cruzadas à frente do corpo e o queixo delicado estava afundado no cachecol.
Muito fofa.
Inês passava longe de ser do tipo "fofa", mas para ele, ela era adorável.
Quando o vídeo chegou à parte em que tiravam fotos individuais com o celular, no momento em que ele olhava para a tela e não para ela, o olhar de Inês pousou nele por três breves segundos.
Rodrigo parou por um instante, retrocedeu o vídeo e assistiu novamente.
Após os três segundos, ele voltou e assistiu de novo.
E fez isso repetidas vezes.
Não se sabe quanto tempo se passou até que Rodrigo finalmente superasse aqueles breves três segundos e continuasse a assistir.
Alice tinha conseguido filmar até o momento em que ele beijou Inês.
Só não pegou o ângulo perfeito.
O foco principal da câmera estava no chão, e ele e Inês só apareciam no canto superior esquerdo.
Ele cronometrou: dois segundos e meio.
Foram apenas dois segundos e meio, não era à toa que ele sentia que não tinha sido o suficiente.
Rodrigo recortou todas as cenas que queria e as guardou na pasta criptografada.
Quando voltou a olhar para a janela, o dia já estava clareando.
Rodrigo estava cheio de energia. Decidiu ir à academia treinar primeiro, para depois tomar banho, tomar café da manhã e se preparar para buscar a Dra. Barros e Mike no aeroporto à tarde.
Inês certamente iria sozinha.
Daniela Tavares não precisaria ir.
— Quanta pressa! — brincou a Sra. Paz. — Daqui a uns dois dias. Eu e seu pai pretendíamos nos encontrar com o Sr. Siqueira aqui, mas, por incrível que pareça, ele disse que voltaria no Ano Novo e até agora nada. Ainda está na Cidade Alvorecer.
— Deve estar resolvendo alguma coisa. Douglas Siqueira não está completamente enfeitiçado pela neta do Sr. Ximenes? — comentou Gustavo Simões ao telefone.
— É impossível que o Sr. Siqueira não consiga descobrir o passado de Julieta Lima. — ponderou Rodrigo.
— O que poderia ser tão importante na Cidade Alvorecer a ponto de ele nem voltar para fazer companhia à Nara? — A Sra. Paz concordou, mas estava confusa.
A esposa de Robson Siqueira chamava-se Nara Lessa.
— Vou prestar mais atenção nisso. — Rodrigo parecia pensativo.
— Lucinda Siqueira também está por aí. Qual é a situação dela? Ela tem tentado se intrometer entre você e Inês? — Gustavo perguntou novamente.
Rodrigo pensou com cuidado. De repente, sentiu que havia algo de errado, mas não conseguiu identificar imediatamente.
Ele apenas comentou: — Da última vez que eu e Inês fomos à Cidade GIO, Lucinda também estava lá e apareceu no orfanato onde Inês cresceu antes de nós.
— Ela foi à Cidade GIO? — surpreendeu-se a Sra. Paz. — Robson e Nara proibiram terminantemente que ela fosse para aquela região. Vou pensar se devo comentar isso com o Robson.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...