— Eu também, eu também! — exclamou Alice.
— Por mim, tudo bem. — respondeu Adrian.
Sobrou apenas Rodrigo. Antes que ele pudesse abrir a boca, Alice declarou.
— Se o meu irmão não for com a gente para o Réveillon, ele vai acabar ficando sozinho.
— Não há falhas nessa lógica. — concordou Adrian.
Rodrigo lançou um olhar sombrio sobre os dois e, por fim, voltou sua atenção para o rosto de Inês, assentindo com a cabeça.
A Sra. Silveira levou todos os pratos prontos para a mesa e gritou em direção à movimentada sala de estar.
— Sra. Jardim, o jantar está servido.
Inês guiou todos até a sala de jantar, fazendo breves comentários sobre cada cômodo pelo qual passavam.
A casa não era grande, bastava um olhar para compreender toda a planta. Contudo, enquanto Inês os apresentava, seus olhos brilhavam cristalinos, e sua voz, normalmente fria, trazia um leve tom de doçura.
Chegando à sala de jantar.
Alice pegou uma garrafa de vinho que não havia sido aberta alguns dias atrás e a colocou sobre a mesa.
— Pessoal, hoje vocês estão com sorte. Este é um vinho branco da coleção particular do meu irmão.
Os olhos de Paulina brilharam um pouco. Ela adorava um bom vinho e gostava especialmente da sensação de ficar levemente embriagada. Já havia degustado muitos vinhos excelentes, mas um da coleção de Rodrigo? Ela não apenas beberia, como beberia muito!
Adrian observou-a com o canto dos olhos e disse, com um sorriso.
— Todos podem beber um pouco, mas não se embriaguem. Lembrem-se de que mais tarde vamos para a beira do rio ver os fogos. Se alguém ficar bêbado e tropeçar na água, será uma lembrança inesquecível para o resto da vida.
Aquela frase conteve a todos, menos a única pessoa que ele realmente queria conter: Paulina.
Paulina degustava gole após gole, com uma expressão levemente inebriada. Quando ela fez menção de brindar com Inês, Rodrigo lançou-lhe um olhar congelante.
— Ela não pode beber.
O seu tom não permitia qualquer contestação.
Paulina, contrariada, rebateu.
— Você quer controlar os céus, a terra, e ainda quer controlar a Inês?
— Eu não controlo os céus nem a terra. — respondeu Rodrigo.
Ele só cuidava de Inês.
Rodrigo acrescentou.
— Ela fica tonta com um copo e desmaia com dois.
— ...
— ...
Inês fitou Rodrigo.
'Você não acreditou em mim.'
Rodrigo retribuiu o olhar.
'Eu acreditei.'
Entre os dois, pareceu formar-se uma barreira invisível, isolando os demais por um breve momento. Os outros também foram sensatos e continuaram a comer em silêncio, sem interromper a troca de olhares.
Pouco depois, Rodrigo cedeu. Antes de devolver a taça para Inês, dois terços do vinho foram despejados no seu próprio copo, quase até transbordar.
E, ao terminar o jantar, Rodrigo esvaziou até o último gole daquele copo cheio de vinho.
A feição do homem permanecia inalterada.
Inês pareceu um pouco surpresa, e Daniela comentou.
— O Diretor Simões tem uma tolerância impressionante ao álcool, ele só não bebe facilmente hoje em dia.
Na verdade, eram muito poucas as pessoas que conseguiam fazer o Diretor Simões erguer a sua própria taça.
Inês capturou uma palavra-chave.
— Hoje em dia?
Então, como era antigamente?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...