Embora falasse com uma voz suave e controlada, por dentro ela já suava frio. Por mais que estivesse dizendo apenas a verdade, era difícil suportar a pressão do interrogatório implacável dos mais velhos, principalmente quando o pai de Douglas soltou repentinamente uma frase.
— A Sra. Lima frequentava muitos banquetes da alta sociedade no exterior?
A primeira reação de Julieta foi olhar para Lucinda, que continuava a comer tranquilamente, captando o desespero dela apenas com o canto dos olhos, enquanto a xingava mentalmente.
Idiota.
Reagindo de forma tão exagerada, parecia até que estava implorando para que os outros notassem suas falhas.
— Sim, eu frequentei alguns — admitiu Julieta, engolindo em seco e percebendo tarde demais que havia exagerado na reação diante da indiferença de Lucinda.
— A Sra. Lima foi cultivada sob a tutela do Sr. Valentim e sabe muito bem como lidar com as pessoas. Não é de admirar que meu filho esteja tão profundamente apaixonado por você a ponto de, mesmo sabendo dos seus problemas na justiça, decidir lhe estender a mão — disse Robson, com um sorriso leve.
— Quanto a isso, eu não tenho nenhuma objeção — acrescentou ele.
Assim que essas palavras foram proferidas, todos os presentes ficaram paralisados e voltaram seus olhares para Robson, especialmente Douglas e Julieta.
— Pai, é sério isso? — perguntou Douglas.
— Claro que é verdade. Aquele é o dinheiro que você ganhou com seu próprio suor, e você tem o direito de usá-lo como bem entender. É como um investimento; se vai dar lucro ou prejuízo, a responsabilidade é toda sua e não tem nenhuma relação com a Família Siqueira — respondeu Robson, encarando o filho.
Essa última frase fez o semblante de Douglas endurecer imediatamente.
Lucinda também abaixou o garfo, e até sua respiração se tornou mais lenta.
— Eu sei que, nos últimos anos, você tem tentado resistir às decisões da Família Siqueira, buscando sua própria independência. De repente, percebi que isso é algo positivo. Aos trinta anos, um homem já deve estar estabelecido. Nós realmente fomos controladores demais com você; já passou da hora de deixarmos você caminhar com as próprias pernas — continuou Robson, em um tom pausado e tranquilo.
A essa altura, se Julieta não tivesse compreendido a mensagem nas entrelinhas, seria uma vergonha para os seus vinte e oito anos de vida.
As palavras do Sr. Siqueira eram um aviso claro de que, se Douglas a ajudasse, a Família Siqueira lavaria as mãos em relação a ele, cortaria todos os recursos e o deixaria completamente à própria sorte.
A mensagem havia sido entregue com a medida certa de sutileza.
— Eu entendo perfeitamente. Usarei apenas o dinheiro do meu próprio esforço — assentiu Douglas.
— Por mim, tudo bem. Conversarei com a sua mãe. Apenas cuide dos seus próprios assuntos da melhor maneira — concordou Robson com um aceno.
O que parecia ser um jantar extremamente harmonioso.
— Não foi um pouco de maldade armar essa armadilha para o Douglas? — perguntou Santiago, assim que retornaram ao quarto.
Na verdade, não foi uma armadilha completa. O objetivo de convidar Julieta naquela noite e dizer tudo aquilo cara a cara era garantir que, ao ver Douglas destituído do prestígio da Família Siqueira, ela não o arruinasse completamente e, consequentemente, não envolvesse a Família Siqueira nos seus problemas.
— A vida dele tem sido fácil demais; de vez em quando, alguém precisa lhe dar uma lição — suspirou Robson, desamparado. — Todos os recursos dele serão cortados, e os cartões que a família forneceu serão bloqueados. Já que ele anseia tanto pela liberdade, deixemos que descubra qual é o verdadeiro sabor dessa liberdade que ele escolheu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...