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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 568

Embora falasse com uma voz suave e controlada, por dentro ela já suava frio. Por mais que estivesse dizendo apenas a verdade, era difícil suportar a pressão do interrogatório implacável dos mais velhos, principalmente quando o pai de Douglas soltou repentinamente uma frase.

— A Sra. Lima frequentava muitos banquetes da alta sociedade no exterior?

A primeira reação de Julieta foi olhar para Lucinda, que continuava a comer tranquilamente, captando o desespero dela apenas com o canto dos olhos, enquanto a xingava mentalmente.

Idiota.

Reagindo de forma tão exagerada, parecia até que estava implorando para que os outros notassem suas falhas.

— Sim, eu frequentei alguns — admitiu Julieta, engolindo em seco e percebendo tarde demais que havia exagerado na reação diante da indiferença de Lucinda.

— A Sra. Lima foi cultivada sob a tutela do Sr. Valentim e sabe muito bem como lidar com as pessoas. Não é de admirar que meu filho esteja tão profundamente apaixonado por você a ponto de, mesmo sabendo dos seus problemas na justiça, decidir lhe estender a mão — disse Robson, com um sorriso leve.

— Quanto a isso, eu não tenho nenhuma objeção — acrescentou ele.

Assim que essas palavras foram proferidas, todos os presentes ficaram paralisados e voltaram seus olhares para Robson, especialmente Douglas e Julieta.

— Pai, é sério isso? — perguntou Douglas.

— Claro que é verdade. Aquele é o dinheiro que você ganhou com seu próprio suor, e você tem o direito de usá-lo como bem entender. É como um investimento; se vai dar lucro ou prejuízo, a responsabilidade é toda sua e não tem nenhuma relação com a Família Siqueira — respondeu Robson, encarando o filho.

Essa última frase fez o semblante de Douglas endurecer imediatamente.

Lucinda também abaixou o garfo, e até sua respiração se tornou mais lenta.

— Eu sei que, nos últimos anos, você tem tentado resistir às decisões da Família Siqueira, buscando sua própria independência. De repente, percebi que isso é algo positivo. Aos trinta anos, um homem já deve estar estabelecido. Nós realmente fomos controladores demais com você; já passou da hora de deixarmos você caminhar com as próprias pernas — continuou Robson, em um tom pausado e tranquilo.

A essa altura, se Julieta não tivesse compreendido a mensagem nas entrelinhas, seria uma vergonha para os seus vinte e oito anos de vida.

As palavras do Sr. Siqueira eram um aviso claro de que, se Douglas a ajudasse, a Família Siqueira lavaria as mãos em relação a ele, cortaria todos os recursos e o deixaria completamente à própria sorte.

A mensagem havia sido entregue com a medida certa de sutileza.

— Eu entendo perfeitamente. Usarei apenas o dinheiro do meu próprio esforço — assentiu Douglas.

— Por mim, tudo bem. Conversarei com a sua mãe. Apenas cuide dos seus próprios assuntos da melhor maneira — concordou Robson com um aceno.

O que parecia ser um jantar extremamente harmonioso.

— Não foi um pouco de maldade armar essa armadilha para o Douglas? — perguntou Santiago, assim que retornaram ao quarto.

Na verdade, não foi uma armadilha completa. O objetivo de convidar Julieta naquela noite e dizer tudo aquilo cara a cara era garantir que, ao ver Douglas destituído do prestígio da Família Siqueira, ela não o arruinasse completamente e, consequentemente, não envolvesse a Família Siqueira nos seus problemas.

— A vida dele tem sido fácil demais; de vez em quando, alguém precisa lhe dar uma lição — suspirou Robson, desamparado. — Todos os recursos dele serão cortados, e os cartões que a família forneceu serão bloqueados. Já que ele anseia tanto pela liberdade, deixemos que descubra qual é o verdadeiro sabor dessa liberdade que ele escolheu.

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