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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 567

— Os mais velhos gostam de moças mais elegantes e recatadas, você se vestiu na medida certa e com certeza vai causar uma boa impressão no meu pai — elogiou Lucinda, enquanto as duas entravam juntas.

— Lucinda, o que você realmente tem em mente? Você jura que não contou ao Douglas sobre a minha situação no tribunal? — questionou Julieta, acreditando apenas em parte do que ouvia e, hesitando, puxou a outra para um canto.

Lucinda sabia que Julieta não era nada boba, caso contrário, não teria conseguido enganar Abel tão facilmente; afinal, sentimentos passados nem sempre funcionavam todas as vezes.

Já que Julieta queria jogar com as cartas na mesa, ela poderia muito bem cooperar um pouco.

— Falei um pouco, mas de forma vaga. Eu não te disse? Nós temos um inimigo em comum. Meu irmão nunca gostou do Rodrigo. Mesmo que eu resolva a situação com a Inês, ainda terei que lidar com a resistência dele. Eu esperava que você pudesse me ajudar, mas o principal é: por que meu irmão gosta tanto de você? Ele pensa em você há uns dois ou três anos e até se recusa a ir a encontros arranjados.

Mesmo sabendo que você foi amante de Abel, ele não te desprezou; chegou até a acreditar nas suas desculpas esfarrapadas de que Abel a havia enganado.

Quando um homem se deixa cegar pela paixão, torna-se mais assustador do que qualquer mulher, agindo de forma completamente irracional, como se tivesse voltado ao útero da mãe.

Julieta, por sua vez, acreditou nas últimas palavras de Lucinda, pois tinha plena consciência da paixão secreta que Douglas nutria por ela.

— O Douglas também é advogado, ele não foi perguntar ao Sr. Advogado Matos? — perguntou ela.

— O Sr. Advogado Matos é um homem muito ocupado — respondeu Lucinda.

O Sr. Advogado Matos havia sido contratado por ela, e não pelo irmão; como ele poderia revelar alguma coisa só porque Douglas fizesse algumas perguntas?

Ela havia garantido o silêncio dele.

— Você realmente está disposta a bancar a cupido entre mim e o seu irmão? — indagou Julieta.

Diante dessa pergunta, Lucinda hesitou ao lembrar do irmão que havia crescido ao seu lado e que sempre cuidara dela com tanta dedicação.

— Falaremos sobre o resto depois. Não vamos deixar os mais velhos esperando — disse ela, sem responder diretamente, enquanto olhava para o relógio em seu pulso.

Julieta a seguiu para o andar de cima.

Na mesa de jantar já estavam sentados Douglas e dois idosos; um possuía um semblante acolhedor, enquanto o outro parecia ligeiramente severo.

Douglas levantou-se para cumprimentá-la e puxou a cadeira ao seu lado para que ela se sentasse.

Douglas tentou responder, mas foi imediatamente silenciado por um olhar sutil de Robson.

Julieta sabia que, diante de figuras tão imponentes, a única saída era dizer a verdade nua e crua, sem qualquer enfeite.

Afinal, eles não eram os pais de Abel.

— Foi em um banquete. Vi alguém colocar algo na bebida do Douglas. A princípio, eu não queria me intrometer, mas como Douglas é brasileiro, achei que deveria ajudar um compatriota.

— A Sra. Lima não sabia da identidade do nosso Douglas antes de decidir intervir? — perguntou Santiago.

— Sr. Santiago — repreendeu Douglas em tom de aviso.

— Foi apenas uma simples curiosidade. Por favor, Sra. Lima, não me leve a mal, e peço desculpas se pareci indelicado — justificou-se Santiago.

— Não, imagina, eu não levei a mal. Naquela época, eu realmente não sabia quem o Douglas era. Só depois, ao sermos apresentados, descobri que ele era advogado, e apenas um ano mais tarde fiquei sabendo que se tratava do filho mais velho da Família Siqueira de Cidade Balma — respondeu Julieta, balançando a cabeça negativamente.

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