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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 549

— Eu só ia pegar a manta do sofá.

— Você está emanando muito calor.

Os dois falaram em uníssono.

Inês piscou, atônita, e viu que ele havia pegado a pequena manta do sofá, que a Sra. Silveira trocara mais cedo, para enxugar o próprio cabelo.

— Só tinha as suas toalhas no banheiro, então não mexi nelas.

Inês era uma pessoa que prezava muito os limites pessoais.

Sem o consentimento dela, ele jamais tocaria em suas coisas.

Em seguida, ele comentou:

— Eu abaixei a temperatura do chuveiro. Você toma banho com a água tão quente assim?

— Achou fervendo?

— Escaldante.

— É por causa das diferenças na nossa estrutura biológica. Os homens têm mais massa muscular e produzem mais calor. As mulheres são mais sensíveis ao frio e produzem menos, então a necessidade de temperatura da água varia. — A postura tensa de Inês foi relaxando aos poucos enquanto via Rodrigo enxugar os fios. O cabelo não pingava mais, mas ainda estava úmido.

— O secador está lá em cima.

— Não precisa. — Vendo-a se levantar, Rodrigo estendeu a mão e a segurou.

Já era a terceira vez naquela noite que ele segurava a mão dela.

O cérebro de Inês sofreu uma breve sobrecarga. Diferente das duas vezes anteriores, ela não ficou parada; puxou a mão de volta.

— A Sra. Silveira esquentou o jantar para você. Coma e vá dormir cedo. Eu vou me deitar.

— Boa noite.

Mesmo sob o tom de voz aparentemente calmo, Rodrigo ainda conseguiu detectar um indício de pânico.

Assim que voltou ao quarto, Inês fechou a porta apressadamente. Olhou para o ambiente arrumado e, só então, foi recobrando os sentidos. Caminhou a passos lentos até a beira da cama e sentou-se. Depois de um tempo, lembrou-se de que não havia respondido à mensagem de Alice. Digitou um "Tudo bem" e foi para o banheiro tomar banho.

O vapor quente ainda preenchia o cômodo.

Ela ligou o chuveiro e testou a temperatura com a mão. Estava exatamente como ela gostava. Olhou para o termostato e constatou que era a temperatura exata que costumava usar no inverno.

Rodrigo havia reajustado o aquecedor para ela.

Era um homem incrivelmente atento aos detalhes.

Assim que a Sra. Jardim terminasse a mudança, a paz voltaria a reinar.

Em dias normais, Abel já não seria páreo para os dois seguranças. Após passar a noite inteira em claro, com o corpo entorpecido pelo frio, um simples empurrão dos homens já era o bastante para fazê-lo cambalear.

Só lhe restou assistir, impotente, os carregadores colocarem todos os pertences de Inês no veículo, empilhando as caixas uma a uma.

Quando Inês havia saído silenciosamente da casa onde os dois moraram por quatro anos, Abel não notara absolutamente nada. Só se dera conta do ocorrido quando ela já havia pedido o divórcio.

Vê-la partindo agora servia quase como uma punição compensatória para o arrependimento que sentia por nunca ter percebido a dor dela. Se soubesse, lá atrás, que ela planejava ir embora em segredo, teria cortado os laços com o passado e feito o impossível para convencê-la a ficar.

Abel acreditou que aquela era a chance que o destino lhe dava para consertar seus erros.

Parecia que, se apenas conseguisse impedi-la de partir desta vez, eles ainda teriam um futuro juntos, especialmente uma oportunidade de redenção.

Se Inês fosse embora dali, seria praticamente impossível encontrá-la de novo.

Nem mesmo saberia por onde começar a se redimir.

Enfrentando as súplicas estridentes e os bloqueios desesperados de Abel, os ouvidos de Inês chegavam a doer de tanto barulho.

— Qual é o sentido de você implorar para eu não ir?

— Inês, não posso viver sem ver você. Por favor. — Abel repetia a mesma frase sem parar. — Eu falhei com você, mas me dê uma chance de consertar os meus erros.

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