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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 550

Ao ouvir aquilo, as veias saltaram nas costas das mãos de Rodrigo.

— Abel, você se lembra de quando nos casamos e debatemos sobre o livro "O Caçador de Pipas", de Khaled Hosseini? Dizem que é uma literatura de redenção, mas aquilo foi a redenção pessoal de Amir.

— Hassan, que foi seu amigo de infância, sofreu abusos por causa da inveja e covardia de Amir. E porque Amir não conseguia lidar com a culpa, tramou para expulsar Hassan e o pai dele. No fim, o puro e leal Hassan morreu, sacrificando-se justamente para proteger a antiga casa de Amir.

— Ele passou a segunda metade da vida acorrentado pela própria consciência, iniciando aquela chamada jornada de redenção.

— Ele salvou Sohrab, o filho de Hassan, que passava pelo mesmo sofrimento, usando a frase "Por você, faria isso mil vezes" para limpar a própria consciência. Mas e quanto a Hassan?

— O Hassan que foi abusado, o Hassan que foi forçado a ir embora, o Hassan que morreu para proteger a casa dele... Quem o salvou? Quem pôde redimi-lo?

Inês prendeu a respiração e a soltou lentamente, questionando-o com firmeza:

— Você agindo dessa forma, exigindo que eu lhe dê uma chance, querendo consertar os seus erros... Você só está tentando concluir a sua própria redenção.

— Abel, não me arraste para a sua busca por redenção pessoal.

— Eu amo esse livro do Hosseini, e amo ainda mais a lealdade e a pureza que ele deu ao Hassan. Mas eu, definitivamente, não quero ser o Hassan.

Com o fim dessas palavras, o corpo de Abel congelou no lugar. Era como se todo o sangue de suas veias houvesse estagnado e a força de todo o seu corpo tivesse sido sugada.

Até a brisa mais leve poderia derrubá-lo naquele momento.

Abel parou de gritar e parou de lutar contra os seguranças.

Terminada a mudança, os guarda-costas retornaram para a Mansão Serra Sul 1.

Quanto a Didi e Mumu, Rodrigo prontamente assumiu a pesada responsabilidade de cuidar dos dois cachorros, já que a nova casa de Inês era pequena e inadequada para cães de grande porte.

O motivo principal era que, com Didi e Mumu morando com ele, Inês sentiria saudades dos animais e, por tabela, lembraria de sua existência.

Ajudava Inês a resolver um problema e ainda garantia que ocuparia um espaço nos pensamentos dela. Matava dois coelhos com uma cajadada só.

Inês se abaixou diante dos dois cachorros, acariciando suas cabeças:

— Desculpem, não posso levar vocês para morar comigo. Vocês ficarão muito melhor com o Rodrigo do que comigo. Eu virei visitá-los sempre que tiver tempo.

Mas a realidade apenas lhe desferiu mais um golpe pesado.

Além das folhas secas varridas pelo vento frio e dos galhos que balançavam nas árvores, não restava mais nada.

Abel sequer se lembrava de como voltara para casa, muito menos de como acabara desabando no chão da sala. Quando recuperou a consciência, a noite já havia caído. Ele moveu os lábios, mas nenhuma palavra saiu.

Ele estava deitado na cama.

No instante seguinte, Alex entrou apressado acompanhado por um médico de jaleco branco, dizendo aflito:

— Dê logo a injeção para baixar a febre dele, senão o cérebro vai cozinhar.

A agulha penetrou a pele, mas Abel não sentiu nada. Seu olhar continuava vazio e sem vida.

Vendo-o naquele estado, Alex soltou um suspiro e apontou o dedo para xingá-lo:

— Abel, se eu não lembrasse que, naquela época, você foi o único que teve coragem de pular na água para me salvar quando ninguém mais quis, eu não teria chamado um médico para você hoje... eu teria te dado uns bons tapas na cara.

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