Inês abriu a porta apenas pela metade. De pé no limiar, bloqueava parte da luz. Contra a claridade, Rodrigo não conseguia distinguir muito bem a expressão no rosto dela.
— O Abel não foi embora.
Rodrigo assentiu:
— É.
Não era à toa que Rodrigo havia decidido ficar.
Inês indagou:
— Você queria falar comigo?
Assim que as palavras saíram, um nervosismo súbito tomou conta de seu peito.
Rodrigo não percebeu e foi direto ao ponto:
— Queria pedir seu banheiro emprestado para tomar um banho.
Embora tivesse sido firme diante de Abel há poucos instantes, a frase do rival continuava ecoando em sua mente: Inês não gostava de pessoas frias e sem coração.
— Tem algum problema? — Ele baixou o tom de voz, tornando-o mais suave, pedindo a permissão dela.
Inês encolheu levemente os dedos e concordou com a cabeça:
— Não, tudo bem.
Dessa vez, ela usou mais de uma palavra.
Uma dupla afirmação.
Uma alegria silenciosa brotou no coração de Rodrigo, embora seu rosto permanecesse impassível.
Inês saiu do quarto, abrindo espaço para que ele entrasse:
— Vou descer para ver a Sra. Silveira. Quando terminar, desça também.
Rodrigo assentiu, observando a silhueta dela desaparecer pelo corredor antes de finalmente entrar no quarto.
Com exceção das cobertas arrumadas sobre a cama, todo o resto do ambiente estava impecavelmente organizado e vazio.
Rodrigo não se demorou inspecionando o local e foi direto para o banheiro. Os itens de higiene pessoal de Inês ainda estavam ali, alinhados com perfeita ordem.
Ele se despiu e ligou o chuveiro. A água escaldante atingiu seus ombros com força, fazendo-o recuar bruscamente para o lado.
Isso aqui é para depenar frango?
Rodrigo ajustou o registro, testando a temperatura com a mão, e só voltou para debaixo d'água quando ficou agradável.
Na sala, Inês comia frutas no sofá enquanto a Sra. Silveira a observava com um olhar afetuoso. Preocupada que não fosse o suficiente, a governanta perguntou se ela queria um lanche noturno.
Inês balançou a cabeça rapidamente.
Se comesse mais, não conseguiria pregar os olhos.
Sua relação com Abel fora platônica, enquanto ele se divertia em aventuras furtivas.
Rodrigo parou diante de Inês. Com a proximidade, uma onda de calor pareceu emanar dele. Inês se ajeitou sutilmente no sofá, recuando um pouco e endireitando a postura de forma rígida.
Ela estava nervosa.
O nervosismo era um sentimento revelador.
Inês só ficaria nervosa se sentisse algo por ele.
Ao constatar isso, os lábios de Rodrigo se curvaram levemente. Ele inclinou-se sobre ela, aproximando-se ainda mais, e estendeu uma das mãos para o lado dela.
Visto de longe, parecia que ele a estava abraçando.
A Sra. Silveira, que saía da cozinha bem naquele instante, recolheu o pé imediatamente ao presenciar a cena.
Uma retirada tática de emergência.
Nenhum dos dois notou.
Inês engoliu em seco, sentindo as bochechas arderem.
— Rodrigo... — Ela percebeu que sua garganta estava estranhamente seca.
— Hum? — A voz do homem era profunda, magnética e ligeiramente rouca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...