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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 547

— A mão, Rodrigo. — Inês indicou para que ele a soltasse; o homem segurava o pulso dela com a firmeza e o calor de uma bolsa térmica, deixando sua pele quente.

Rodrigo afrouxou o aperto lentamente:

— Ele ainda está de joelhos?

O homem observava a expressão de Inês, temendo perder o menor vislumbre de seus sentimentos.

Inês lançou um olhar para fora:

— Ficar de joelhos ou não é problema dele. Ainda tenho que fazer a mudança amanhã.

Rodrigo lembrou-se das palavras da Sra. Silveira e perguntou com a voz grave:

— O que você acha de romances marcados por sofrimento e dor?

Inês respondeu:

— Um aviso para não repetir o passado.

Rodrigo soltou metade do ar que prendia, mas a outra metade continuou presa, mantendo-o em alerta.

— Suba e vá descansar.

Ele mesmo se encarregaria de enxotar Abel.

Inês olhou nos olhos dele, e Rodrigo franziu a testa:

— Está com pena de deixá-lo lá?

Inês complementou:

— O aviso para não repetir o passado significa, justamente, não cometer os mesmos erros.

Rodrigo a encarou com um olhar de quem não estava totalmente convencido.

Inês o fitou, confusa.

Que olhar era aquele?

— Suba e vá descansar. — Rodrigo acariciou levemente a cabeça dela duas vezes, como quem acalma uma gata arisca. Feito isso, afastou-se com naturalidade, deixando Inês paralisada no lugar.

No quintal.

Abel continuava ajoelhado, com o olhar ansioso tentando espiar o interior da casa, como se temesse que Rodrigo pudesse fazer algum mal a Inês.

A porta se abriu novamente, mas quem saiu foi apenas Rodrigo.

Abel levantou-se:

— Onde está a Inês?

Rodrigo olhou para os joelhos dele com um olhar glacial:

— Só porque a Inês não saiu, você parou de se ajoelhar? É tudo apenas encenação e palavras vazias.

Abel devolveu o olhar igualmente frio, carregado de uma profunda hostilidade.

— Tente atrapalhar o sono da Inês de novo e veja o que acontece.

Ao lembrar que Inês precisava descansar, Abel conteve as palavras por um triz.

No entanto, ele não foi embora. Permaneceu ali, em absoluto silêncio, de pé e imóvel diante do portão, com o rosto erguido para a janela iluminada no segundo andar.

Como Abel não ia embora, Rodrigo também não podia partir.

Ele não estava tranquilo em deixá-la ali.

A Sra. Silveira improvisou rapidamente um quarto de hóspedes, mas não houve tempo para limpar o banheiro. Como não era adequado que o jovem patrão usasse o dela, a governanta sugeriu:

— Patrãozinho, por que o senhor não pergunta à Sra. Jardim?

Inês estava no quarto de hóspedes do segundo andar, que também possuía uma suíte.

Rodrigo parou diante da porta. Temendo que Inês já estivesse dormindo e que bater a acordaria, virou-se para descer as escadas.

Bastava voltar para casa no dia seguinte, tomar um banho antes de ela acordar e retornar.

Contudo, no segundo seguinte.

A porta se abriu por dentro.

Um feixe de luz escapou pela fresta, iluminando perfeitamente as costas de Rodrigo. Ele hesitou o passo e virou-se.

Sob a luz amarelada e tênue, os traços severos do rosto do homem pareciam, agora, levemente suavizados.

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