— A mão, Rodrigo. — Inês indicou para que ele a soltasse; o homem segurava o pulso dela com a firmeza e o calor de uma bolsa térmica, deixando sua pele quente.
Rodrigo afrouxou o aperto lentamente:
— Ele ainda está de joelhos?
O homem observava a expressão de Inês, temendo perder o menor vislumbre de seus sentimentos.
Inês lançou um olhar para fora:
— Ficar de joelhos ou não é problema dele. Ainda tenho que fazer a mudança amanhã.
Rodrigo lembrou-se das palavras da Sra. Silveira e perguntou com a voz grave:
— O que você acha de romances marcados por sofrimento e dor?
Inês respondeu:
— Um aviso para não repetir o passado.
Rodrigo soltou metade do ar que prendia, mas a outra metade continuou presa, mantendo-o em alerta.
— Suba e vá descansar.
Ele mesmo se encarregaria de enxotar Abel.
Inês olhou nos olhos dele, e Rodrigo franziu a testa:
— Está com pena de deixá-lo lá?
Inês complementou:
— O aviso para não repetir o passado significa, justamente, não cometer os mesmos erros.
Rodrigo a encarou com um olhar de quem não estava totalmente convencido.
Inês o fitou, confusa.
Que olhar era aquele?
— Suba e vá descansar. — Rodrigo acariciou levemente a cabeça dela duas vezes, como quem acalma uma gata arisca. Feito isso, afastou-se com naturalidade, deixando Inês paralisada no lugar.
No quintal.
Abel continuava ajoelhado, com o olhar ansioso tentando espiar o interior da casa, como se temesse que Rodrigo pudesse fazer algum mal a Inês.
A porta se abriu novamente, mas quem saiu foi apenas Rodrigo.
Abel levantou-se:
— Onde está a Inês?
Rodrigo olhou para os joelhos dele com um olhar glacial:
— Só porque a Inês não saiu, você parou de se ajoelhar? É tudo apenas encenação e palavras vazias.
Abel devolveu o olhar igualmente frio, carregado de uma profunda hostilidade.
— Tente atrapalhar o sono da Inês de novo e veja o que acontece.
Ao lembrar que Inês precisava descansar, Abel conteve as palavras por um triz.
No entanto, ele não foi embora. Permaneceu ali, em absoluto silêncio, de pé e imóvel diante do portão, com o rosto erguido para a janela iluminada no segundo andar.
Como Abel não ia embora, Rodrigo também não podia partir.
Ele não estava tranquilo em deixá-la ali.
A Sra. Silveira improvisou rapidamente um quarto de hóspedes, mas não houve tempo para limpar o banheiro. Como não era adequado que o jovem patrão usasse o dela, a governanta sugeriu:
— Patrãozinho, por que o senhor não pergunta à Sra. Jardim?
Inês estava no quarto de hóspedes do segundo andar, que também possuía uma suíte.
Rodrigo parou diante da porta. Temendo que Inês já estivesse dormindo e que bater a acordaria, virou-se para descer as escadas.
Bastava voltar para casa no dia seguinte, tomar um banho antes de ela acordar e retornar.
Contudo, no segundo seguinte.
A porta se abriu por dentro.
Um feixe de luz escapou pela fresta, iluminando perfeitamente as costas de Rodrigo. Ele hesitou o passo e virou-se.
Sob a luz amarelada e tênue, os traços severos do rosto do homem pareciam, agora, levemente suavizados.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...