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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 546

E, de repente, ele nunca mais poderia ver Inês.

Isso era assustador demais.

Mais agonizante do que o desaparecimento completo, era o fato de Inês estar claramente na mesma cidade, mas fora de seu alcance para sempre.

Era como saber exatamente que aquela pessoa estava lá, mas estar proibido de vê-la com os olhos ou tocá-la com as mãos.

Para quem não conseguia desapegar, era uma tortura de extrema crueldade.

Antes que Inês pudesse abrir a boca, o ronco grave do motor de um carro irrompeu nos portões. Os pneus rasgaram o chão com um som estridente, e um leve cheiro de borracha queimada pairou no ar.

A porta do banco do motorista se abriu quase no mesmo milésimo de segundo em que o veículo freou bruscamente. Rodrigo desceu com o semblante fechado, a respiração ligeiramente ofegante. Seu olhar varreu Abel ajoelhado no chão e travou com firmeza em Inês.

— Jovem Mestre! — Os olhos da Sra. Silveira se iluminaram.

Sem dar tempo para Inês falar, Rodrigo agarrou a mão dela e a puxou em direção ao interior da casa, marchando a passos largos, com o cenho franzido.

Outro estrondo soou.

A porta branca bateu com força, isolando o ambiente.

Neste momento, o motorista desceu do veículo, com o rosto ainda estampado de terror.

— Por que era o Jovem Mestre quem estava dirigindo? — perguntou a Sra. Silveira.

— Pela pressa. — respondeu o motorista. — Depois daquela ligação que você fez, como o Diretor Simões não ficaria apressado?

Assim que entraram no perímetro da Mansão Serra Sul, o Diretor Simões ordenou que ele parasse e fosse para o banco de trás. Sem sequer sair do carro, o Diretor Simões esticou as longas pernas para trocar de lugar. Ignorando até o cinto de segurança, acelerou como um piloto de fuga até a casa número nove.

— Eu quase vomitei no banco de trás com as derrapagens. Não é à toa que, quando fui contratado, o Sr. Simões e a Sra. Paz me avisaram para não deixar o Diretor Simões dirigir com frequência. O estranho é que o Diretor Simões parecia tão paciente e centrado quando estava ensinando a Sra. Jardim a dirigir. — continuou o motorista.

— ...É porque o Jovem Mestre trata a Sra. Jardim como a joia mais preciosa da vida dele. — suspirou a Sra. Silveira.

— Faz sentido. — concordou o motorista.

Os dois conversavam como se não houvesse mais ninguém por perto, deixando Abel sozinho ajoelhado ali.

— Se você gosta de ficar de joelhos, fique à vontade. Ajoelhe-se o tempo que quiser, até o mundo acabar se preferir. Mas você acha que vai forçar a Sra. Jardim a ceder com essa chantagem emocional? Nem pensar. Eu não permito, e meu Jovem Mestre muito menos. — disse a Sra. Silveira para Abel.

Abel nem escutou. Seu rosto transbordava preocupação enquanto encarava o interior da casa, questionando a Sra. Silveira: — O que o Diretor Simões vai fazer com a Inês?!

— Espera um pouc...

— Eu também po...

A boca dele foi tapada pela mão de Inês. Foi um toque suave, apenas a palma de sua mão o silenciando.

Isso reprimiu instantaneamente a chama da revolta de Rodrigo.

— Você não precisa fazer igual. — disse Inês ao ver que ele havia calado a boca.

— Comporte-se, Rodrigo.

— ...Uhum.

Inês estava prestes a recolher a mão quando o pulso foi agarrado novamente por Rodrigo. Desta vez, a pressão não foi dolorosa, mas envolvia sua pele com uma firmeza inabalável.

Os olhos do homem trancaram-se nela mais uma vez.

A respiração de Inês falhou levemente, e o coração em seu peito pareceu ter perdido uma batida naquele segundo.

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