Ele acordou com uma vontade imensa de ir ao banheiro.
Abel caminhou até o lavabo e, ao abaixar o olhar enquanto usava o vaso, percebeu de repente que algo estava errado.
Parecia que algo havia crescido ali.
Abel arregalou os olhos, examinando com cuidado, e notou que a protuberância lembrava uma couve-flor, pequena.
Em um instante, foi como se despencasse em um abismo de gelo.
Abel apertou o cinto apressadamente, pegou o celular e pediu um carro para ir ao hospital. Sua intenção inicial era ir ao Hospital Coração Sereno, onde sua mãe estava internada, mas, ao descobrir que o Dr. Soares era pai de Adrian, ele já havia deduzido que a Família Simões estava por trás do controle da instituição.
Ele mudou de rumo.
Foi para o hospital mais distante, nos arredores da cidade.
Abel passou pelo exame mais angustiante de toda a sua vida.
Anticorpo Específico contra Treponema Pallidum (TP-Ab/TPPA): Positivo (+).
O corpo de Abel cambaleou, a cor sumiu de seu rosto e seus lábios ficaram brancos como os de um cadáver.
O médico do departamento de dermatologia e doenças venéreas já estava acostumado com o choque dos pacientes e explicou, com calma e profissionalismo, que o caso estava na fase inicial, o que significava que havia sido descoberto cedo, pois a maioria dessas doenças possuía um período de incubação e, quando eram notadas, já era tarde demais.
Além disso, tinha cura.
O médico fez questão de enfatizar que o nível da tecnologia médica nacional havia avançado nos últimos anos. A detecção precoce permitia a cura completa, e, uma vez curado, não haveria impactos em sua futura vida conjugal.
O doutor também perguntou se ele tinha uma parceira, orientando-o a trazê-la para realizar os mesmos exames.
Abel pensou imediatamente em Julieta.
Essa doença não era transmitida facilmente no dia a dia; a forma mais provável de contágio era através de contato íntimo.
— Eu... eu vou ligar para ela. — disse ele, com as mãos trêmulas.
Assim que a chamada foi completada.
— Abel, você decidiu me ajudar, não é? — a voz doce e animada de Julieta soou.
Abel abriu os lábios, movendo-se como um morto-vivo, e passou o endereço do hospital, pedindo que ela viesse.
Julieta estranhou ao ouvir que o hospital ficava nos subúrbios.
Porém, Abel disse que lhe daria dinheiro caso ela aparecesse.
— Julieta, em que eu te decepcionei para você me tratar assim?! — Abel desferiu um tapa no rosto dela.
O estalo soou nítido.
Julieta foi jogada no chão com a agressão, em um estado deplorável.
— Abel! O meu corpo ainda nem se recuperou do aborto! Como você pode me tratar assim? — Aquela era a sua única moeda de troca.
— Você está usando a história do bebê porque quer dinheiro. Tudo bem, eu te dou três mil por mês, durante quatro anos. — disse Abel, exausto física e mentalmente, olhando-a com fúria.
Assim que os números "três mil" e "quatro anos" foram pronunciados, as lágrimas de Julieta caíram instantaneamente.
— Você está me humilhando?
Abel lembrou-se de Inês. Foi exatamente assim que Inês havia sido "humilhada" por ele durante quatro anos.
Não era à toa que ela se recusava a vê-lo.
Não era à toa que os olhos dela não demonstravam a menor emoção ao encará-lo.
Ele era mesmo um desgraçado!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...