— Tio! Eu também sou da Família Ximenes! O vovô mesmo dizia que eu sou uma Ximenes! Como vocês podem jogar as minhas coisas na rua?!
— E o que você queria? Que eu vendesse tudo por você ou as comprasse de você para te ajudar a pagar as suas dívidas? — A paciência do tio da Família Ximenes com Julieta já havia chegado ao limite.
Julieta implorou com os olhos injetados:
— Tio, por favor, me deixe entrar para ver o vovô!
— Impossível. Seu avô disse que não quer ver você.
— Como assim?! — Julieta estava em pânico. Naquela situação, além do avô, não havia ninguém mais capaz de ajudá-la!
— Se o vovô não quer me ver, vou ficar aqui esperando até ele mudar de ideia.
Ela se recusava a acreditar que o coração do avô era feito de pedra.
Ele sempre havia sido tão amoroso com ela.
O tio da Família Ximenes retrucou apenas com uma frase antes de lhe dar as costas:
— Faça o que quiser. Mas gritaria não é permitida no hospital. Se você realmente se importa com o seu avô, fique aí quieta.
O rosto de Julieta empalideceu completamente. Mesmo dizendo aquilo tudo, eles ainda a manteriam do lado de fora?
O tio continuou:
— Irmã, cunhado, o mesmo vale para vocês. Mas eu sugiro que nem tentem marcar presença aqui. Não tem sentido.
Os pais de Julieta também ficaram mudos e sem reação. O casal teve que se contentar em espiar a situação pelo vidro da janela, confirmando que pelo menos o idoso já havia despertado.
Julieta permanecia de joelhos, sem saber se devia levantar-se ou continuar prostrada ali.
— Levante-se. — O pai lançou um olhar para os joelhos da filha, com o cenho franzido — Em quanto tempo o tribunal mandou você devolver o dinheiro?
Ela aproveitou o comando para ficar de pé e respondeu:
— Dentro de quinze dias após a sentença entrar em vigor.
A voz do pai soou pesada:
— Você tem apenas meia quinzena.
A mãe estava tomada pela preocupação:
— Só meia quinzena.
Julieta percebeu as entrelinhas: seus pais, no fim das contas, não a abandonariam. Isso a deixou com tanta vergonha que nem ousou olhar nos olhos deles. Apenas a ardência em seu rosto, provocada pelos tapas, a castigava e fazia suas lágrimas escorrerem incessantemente.
O poder de seus pais era limitado, a ajuda seria pouca. Os tios certamente não emprestariam um centavo sequer. O único capaz de desembolsar tal valor era seu avô.
E mesmo isso poderia não ser suficiente, então ela ainda teria que buscar outras soluções.
Ela planejava pedir algum dinheiro a seus amigos no exterior. Fosse muito ou pouco, aceitaria de bom grado qualquer quantia, pois de grão em grão a galinha enche o papo!
E também havia Abel...
— Que desgraça terrível!
Assim que pai e filho adentraram o quarto do hospital, Alex Azevedo, que tinha vindo visitá-las, levantou-se prontamente e perguntou preocupado:
— E então, como foi?
Branca Rocha Martins e Mariana também olharam fixamente para eles.
Apoiando-se para sentar-se na cama, com o rosto pálido, Branca indagou:
— A Julieta perdeu, não foi? Como o tribunal sentenciou o pagamento desse dinheiro? Como será dividido entre você e Inês? Na pior das hipóteses, com certeza vamos pegar alguns milhões, certo?
Mariana também os apressou:
— Sim, sim! Conta, irmão! Qual foi o resultado?
Encarando a mãe e a irmã, Abel acenou com a cabeça lentamente:
— Sim. Julieta perdeu, perdeu completamente.
E ele também.
Uma derrota total.
Sem dar trégua, Mariana pressionou:
— Mas e o dinheiro? O que o tribunal disse sobre a divisão?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...