Abel não se importava em chocar a irmã, mas temia que a notícia afetasse a mãe, o que seria prejudicial para a cirurgia. Por isso, tentou amenizar a situação:
— Não foi muito, só alguns milhões.
— Quantos milhões exatamente?
Afinal, havia uma diferença absurda entre um e nove milhões!
Percebendo que o clima estava pesando, Alex se aproximou, passou o braço pelos ombros de Abel e o guiou para fora:
— Abel, preciso falar com você urgente. É sobre trabalho.
Os dois saíram do quarto.
Mariana, consumida pela ansiedade, tentou ir atrás deles, mas foi impedida pela voz do pai:
— Isso é problema do seu irmão. Cuide da sua própria vida primeiro. A situação da nossa família já chegou a esse ponto, então ninguém mais pode se dar ao luxo de ser um peso. Aproveite o tempo que está aqui no hospital acompanhando sua mãe para preparar um currículo. Peça ao seu irmão para dar uma revisada e eu dou um jeito de te colocar em uma boa empresa.
O mundo de Mariana desabou.
Ela realmente teria que trabalhar?
— Snif... — Mariana começou a chorar em voz alta ali mesmo no quarto. Branca fez menção de dizer algo, mas Geraldo segurou a mão da esposa e deu tapinhas suaves, sinalizando para que não interferisse.
Se não mudassem de atitude, a família inteira acabaria morando na rua!
Do lado de fora do quarto.
Alex soltou os ombros de Abel e perguntou:
— O juiz deu todo o dinheiro para a Inês, não foi?
— Era o direito dela.
Ele já deveria saber que esse dia chegaria quando decidiu dar aquelas coisas para Julieta.
— E o que você vai fazer agora? A sua mãe precisa muito de dinheiro nesse estado! — Enquanto falava, Alex pegou o celular e, em questão de segundos, transferiu duzentos mil para a conta do amigo, para cobrir as emergências.
— Tem uma vaga de gerência intermediária na empresa da minha família. Se você não se importar, pode começar lá depois que a cirurgia da sua mãe terminar. O salário não é lá essas coisas, mas já ajuda.
Abel não recusou a oferta:
— Muito obrigado.
— Não tem de quê.
...
Palácio Red.
Rodrigo e Douglas estavam sentados frente a frente. Ao lado de Douglas estava Lucinda, e na cabeceira da mesa de chá encontrava-se Robson, o patriarca.
Assim que se sentou, Robson notou a tensão palpável, quase como espadas prestes a se cruzarem, entre os dois rapazes.
A Família Siqueira e a Família Paz sempre foram muito próximas, e mantinham um bom relacionamento com a Família Simões. Ele não entendia como, ao chegar na geração mais nova, a convivência havia se deteriorado tanto.
A hostilidade invisível que emanava dos dois diminuiu um pouco.
Robson não repreendeu nenhum dos lados e perguntou com serenidade:
— Pelo visto, todos vocês a conhecem. Você também, Lucinda?
A expressão de Lucinda enrijeceu de leve, mas ela assentiu:
— Sim, eu conheço.
E não acrescentou mais nenhuma palavra.
— Na minha casa. Na mansão principal.
A frase curta deixou claro o quão importante era a pessoa que lhe deu o chá.
Robson sorriu, deixando a curiosidade falar mais alto:
— De qual família ela é herdeira? Para conseguir chamar a atenção do nosso jovem Diretor Simões, deve ser alguém especial.
Douglas deu uma risada de escárnio:
— Ela não é herdeira de nada. É uma órfã que cresceu num orfanato.
Ao ouvir a palavra "órfã", Rodrigo sentiu como se agulhas lhe perfurassem os ouvidos. Devolveu a ironia na mesma moeda:
— Inês pode não ser de família rica, mas é mil vezes melhor do que aquela sua paixãozinha que já passou pelas mãos de todo mundo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...