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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 524

Abel não se importava em chocar a irmã, mas temia que a notícia afetasse a mãe, o que seria prejudicial para a cirurgia. Por isso, tentou amenizar a situação:

— Não foi muito, só alguns milhões.

— Quantos milhões exatamente?

Afinal, havia uma diferença absurda entre um e nove milhões!

Percebendo que o clima estava pesando, Alex se aproximou, passou o braço pelos ombros de Abel e o guiou para fora:

— Abel, preciso falar com você urgente. É sobre trabalho.

Os dois saíram do quarto.

Mariana, consumida pela ansiedade, tentou ir atrás deles, mas foi impedida pela voz do pai:

— Isso é problema do seu irmão. Cuide da sua própria vida primeiro. A situação da nossa família já chegou a esse ponto, então ninguém mais pode se dar ao luxo de ser um peso. Aproveite o tempo que está aqui no hospital acompanhando sua mãe para preparar um currículo. Peça ao seu irmão para dar uma revisada e eu dou um jeito de te colocar em uma boa empresa.

O mundo de Mariana desabou.

Ela realmente teria que trabalhar?

— Snif... — Mariana começou a chorar em voz alta ali mesmo no quarto. Branca fez menção de dizer algo, mas Geraldo segurou a mão da esposa e deu tapinhas suaves, sinalizando para que não interferisse.

Se não mudassem de atitude, a família inteira acabaria morando na rua!

Do lado de fora do quarto.

Alex soltou os ombros de Abel e perguntou:

— O juiz deu todo o dinheiro para a Inês, não foi?

— Era o direito dela.

Ele já deveria saber que esse dia chegaria quando decidiu dar aquelas coisas para Julieta.

— E o que você vai fazer agora? A sua mãe precisa muito de dinheiro nesse estado! — Enquanto falava, Alex pegou o celular e, em questão de segundos, transferiu duzentos mil para a conta do amigo, para cobrir as emergências.

— Tem uma vaga de gerência intermediária na empresa da minha família. Se você não se importar, pode começar lá depois que a cirurgia da sua mãe terminar. O salário não é lá essas coisas, mas já ajuda.

Abel não recusou a oferta:

— Muito obrigado.

— Não tem de quê.

...

Palácio Red.

Rodrigo e Douglas estavam sentados frente a frente. Ao lado de Douglas estava Lucinda, e na cabeceira da mesa de chá encontrava-se Robson, o patriarca.

Assim que se sentou, Robson notou a tensão palpável, quase como espadas prestes a se cruzarem, entre os dois rapazes.

A Família Siqueira e a Família Paz sempre foram muito próximas, e mantinham um bom relacionamento com a Família Simões. Ele não entendia como, ao chegar na geração mais nova, a convivência havia se deteriorado tanto.

A hostilidade invisível que emanava dos dois diminuiu um pouco.

Robson não repreendeu nenhum dos lados e perguntou com serenidade:

— Pelo visto, todos vocês a conhecem. Você também, Lucinda?

A expressão de Lucinda enrijeceu de leve, mas ela assentiu:

— Sim, eu conheço.

E não acrescentou mais nenhuma palavra.

— Na minha casa. Na mansão principal.

A frase curta deixou claro o quão importante era a pessoa que lhe deu o chá.

Robson sorriu, deixando a curiosidade falar mais alto:

— De qual família ela é herdeira? Para conseguir chamar a atenção do nosso jovem Diretor Simões, deve ser alguém especial.

Douglas deu uma risada de escárnio:

— Ela não é herdeira de nada. É uma órfã que cresceu num orfanato.

Ao ouvir a palavra "órfã", Rodrigo sentiu como se agulhas lhe perfurassem os ouvidos. Devolveu a ironia na mesma moeda:

— Inês pode não ser de família rica, mas é mil vezes melhor do que aquela sua paixãozinha que já passou pelas mãos de todo mundo.

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