O casal teve que se contentar em observar da porta do quarto.
Até que a filha deles finalmente apareceu.
Ao ver a filha, a mãe de Julieta ergueu a mão e desferiu-lhe um tapa estalado. A marca dos dedos surgiu rapidamente no rosto de Julieta, cuja cabeça até pendeu para o lado com a força do golpe.
— Julieta, como você pôde se rebaixar tanto?! Como foi capaz de cometer atos tão desprezíveis e vergonhosos?!
Pela primeira vez, Julieta não teve coragem de rebater as palavras dos pais.
Apenas suportou a dor em silêncio.
Afinal, quem mais a salvaria do abismo em que se encontrava?
Aproveitando a deixa, Julieta caiu de joelhos no chão:
— Pai, mãe, eu errei. Fui uma filha ingrata. Fiz coisas absurdas que magoaram vocês e acabaram deixando o vovô doente.
— Mas... — Ela ergueu o rosto, com os olhos avermelhados de lágrimas — Eu já fui punida. Fui expulsa da equipe do projeto Núcleo Próprio e tachada de amante por todos. Agora perdi meu filho, e o meu corpo também... também...
A voz de Julieta falhou várias vezes em meio aos soluços.
Era um desfecho que ela jamais havia imaginado.
A declaração do médico de que seria muito difícil engravidar novamente era quase uma sentença de infertilidade. Ele apenas não havia sido completamente categórico.
O pai de Julieta observava a filha debulhar-se em lágrimas, sentindo uma mistura de pena e indignação:
— Você nem deveria estar no projeto Núcleo Próprio desde o início. Perdê-lo é apenas um retorno à normalidade. Não há motivo para se sentir injustiçada com isso. Quanto ao resto...
Ele não conseguiu continuar.
Sua filha havia destruído a família de outra pessoa e esbanjado sem nenhum escrúpulo o dinheiro de um homem casado.
O aborto espontâneo e os danos ao seu corpo... Eram, na verdade, a lei do retorno cobrando seu preço.
Com o coração dilacerado, o pai de Julieta abraçou os ombros da esposa, temendo que ela desmaiasse de tanta perturbação.
Que pais normais poderiam aceitar que sua própria filha não tivesse o menor amor-próprio nem dignidade, e abrigasse intenções tão perversas?
— Pai, mãe, me perdoem! Eu errei de verdade! — Julieta arrastou-se de joelhos e implorou olhando para eles — Por favor, me perdoem! Eu sou a única filha de vocês!
A mãe de Julieta estava com os olhos cheios de lágrimas:
— Foi ideia da tia? Como ela pode fazer isso?!
A mãe retrucou:
— E por que ela não poderia? Ela só está preocupada com o seu avô, temendo que nossa presença o perturbe ainda mais.
Julieta calou-se, engolindo em seco.
Um nó ainda mais apertado se formou em seu peito.
Nesse momento, a porta do quarto do hospital se abriu.
Quem saiu foi o tio de Julieta. O tio da Família Ximenes olhou para a sobrinha ajoelhada e, mesmo vendo a marca do tapa em seu rosto, não hesitou em acertar-lhe um segundo golpe estalado.
— Julieta, se acontecer alguma coisa com o seu avô, você e os seus pais nunca mais colocarão os pés pela porta da Família Ximenes pelo resto da vida.
— O velho se dedicou tanto à sua criação, só para você se tornar esse lixo desavergonhado! Eu já soube o que aconteceu no tribunal. Já mandei a empregada empacotar todas as suas coisas e enviar de volta para a sua casa. Não ousem nos incomodar de novo.
As pupilas de Julieta dilataram-se em choque. Ela havia crescido na Família Ximenes, comendo, vestindo-se e vivendo melhor que o próprio primo. Havia recebido os melhores recursos de educação e os melhores contatos, e agora estava sendo enxotada de casa?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...