Inês e Xica também se viraram com Alice. Diante delas estava um homem de meia-idade, usando óculos e um suéter cinza.
Inês ouviu Alice cumprimentá-lo:
— Sr. Santiago.
Então ele era da Família Siqueira.
Mas estava sozinho ali.
— Alice, veio almoçar com suas amigas? — Santiago Siqueira lançou um olhar para as duas que a acompanhavam e, ao pousar os olhos em Inês, seu olhar subitamente congelou.
Percebendo que estava sendo observada, Inês assentiu levemente com a cabeça em sinal de educação.
— Sim, vamos comer no Sabor Sol. Alguns amigos ainda não chegaram, então estamos esperando aqui. O Sr. Santiago veio com o tio Robson?
— Sim, viemos resolver algumas coisas em Cidade Alvorecer. O Diretor Siqueira tem um encontro marcado para tomar chá com seu irmão no Palácio Red esta tarde. Vim antes para checar o local. — Após responder a Alice, os olhos de Santiago voltaram-se novamente para o rosto de Inês — E como a senhorita se chama?
Alice entrelaçou o braço ao de Inês:
— O nome dela é Inês, minha grande amiga. Esta outra é Xica, a caloura da Inês.
— Olá, Sra. Inês. — Santiago cumprimentou-a de forma sucinta e, em seguida, dirigiu-se ao Palácio Red. Ao chegar à porta, virou-se mais uma vez para observar as costas de Inês.
Com uma expressão pensativa.
Sentindo que estava sendo observada, Inês olhou por cima do ombro e cruzou o olhar com o de Santiago, que lhe lançou um sorriso muito amável.
Por que as pessoas da Família Siqueira tinham a estranha mania de encará-la sem motivo?
Primeiro havia sido Lucinda, e agora aquele homem.
Notando a confusão da amiga, Alice explicou:
— Aquele é o Sr. Santiago. Ele é um primo distante do tio Robson, o que o torna tio-avô ou tio distante de Douglas e Lucinda. Mas ele é de um ramo secundário da família, não é um verdadeiro membro do núcleo da Família Siqueira. Ele trabalha na empresa deles, por isso chamou o tio Robson de Diretor Siqueira em vez de outra coisa.
— Embora o tio Robson seja um homem de negócios, ele pertence à linhagem direta da Família Siqueira. Muita gente tenta usá-lo como ponte para se aproximar de outros membros da família. Geralmente, aonde quer que ele vá, alguém precisa ir na frente para preparar o terreno.
— Então ele veio adiantado por causa disso? — perguntou Inês.
Alice assentiu:
— Isso mesmo. O tio Robson e o meu irmão só devem chegar ao Palácio Red daqui a uma ou duas horas.
Enquanto os demais escolhiam as bebidas, Alice sussurrou para Inês:
— Meu irmão mandou o Noel de propósito só para nos vigiar, não foi?
Inês a encarou:
— Rodrigo disse exatamente isso para o Noel na frente de todos nós.
— É, faz sentido...
Assim que todos os pratos foram servidos, Inês ergueu seu copo de suco como se fosse vinho e propôs um brinde a todos, que era, no fundo, um brinde a si mesma.
Enquanto o clima ali era de pura alegria, no hospital, a situação era marcada por ressentimentos.
O Sr. Ximenes fora levado ao hospital pela segunda vez por causa das decepções com Julieta. Desta vez, o quadro era mais grave do que na anterior. Estava ligado a aparelhos respiratórios e ainda não havia recuperado a consciência.
Era o mesmo hospital e o mesmo médico da vez anterior. O doutor olhou para a família e reiterou várias vezes que um idoso daquela idade não poderia ser submetido a emoções fortes.
Os pais de Julieta mantinham as cabeças baixas, incapazes de sequer endireitar as costas. A mãe dela, em especial, não tinha coragem de encarar o irmão e a cunhada.
O irmão e a cunhada já guardavam queixas em relação a ela. Agora, nem faziam questão de disfarçar. Lançavam-lhe olhares gélidos e, quando o pai deu os primeiros sinais de que acordaria, até mesmo a impediram, junto com seu marido, de entrar no quarto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...