Inês não percebeu o olhar de Abel. Como o Sr. Vieira havia dito, era o seu renascimento.
No seu novo começo, não havia espaço para Abel, e seu cérebro, de forma automática, passava a ignorar tudo relacionado a ele.
Inês foi puxada de lado pela Dona Cláudia e ouvia atentamente seus conselhos.
— O Sr. Franco também sabe do seu julgamento e está muito preocupado com você. Ligue para ele daqui a pouco para dar as notícias, deixe-o tirar esse peso das costas.
— E tem mais: hoje, muita gente veio acompanhá-la. Com o fim do julgamento e essa vitória acachapante, você precisa convidar todos para almoçar, entendeu? — Cláudia sempre se lembrava do que seu falecido marido escrevera naquela carta: Inês era solitária e desamparada, só sabia enterrar a cabeça nos livros desde pequena. Dizem que estudar demais pode deixar alguém bobo; às vezes era verdade. Por isso, ninguém jamais a havia ensinado as chamadas convenções sociais.
Um dia como professor, uma vida inteira como pai. Um dia como Dona Cláudia, uma vida inteira como mãe. Como educadores, eles precisavam guiar Inês como se ela fosse sua própria filha.
— O Sr. Vieira já reservou um restaurante. Não importa quantos estarão livres, mesmo que seja só um amigo, vocês têm que ir. Para aqueles que não puderem comparecer, compre algumas lembrancinhas. Não precisa ser nada caro, o que vale é a intenção. É exatamente nessa troca mútua que se constroem laços e, com o tempo, nascem amizades profundas.
— Eu e o Sr. Vieira já temos certa idade, então não vamos para não deixar vocês, jovens, constrangidos — disse Cláudia, dando um tapinha no braço de Inês. — Ficou claro?
Inês agradeceu de coração:
— Obrigada, Dona Cláudia.
Cláudia deu um sorriso compreensivo:
— Somos família, não precisa agradecer tanto. O que nós mais queremos é que você seja feliz. E fique tranquila, não pagamos a conta do restaurante para você, terá que pagar do seu próprio bolso.
Inês assentiu, abraçando a Dona Cláudia mais uma vez. Com os olhos rasos d'água, disse:
— Dona Cláudia, desta vez, quando voltei à Cidade GIO, a Dra. Barros me contou como me encontrou e como me criou. Eu sempre acreditei que era uma órfã sem pai nem mãe, mas acho que eu estava errada sobre isso.
— Na verdade, eu tenho duas mães que me acolheram e me criaram, uma após a outra.
Cláudia e seu marido haviam dedicado a vida à academia, nunca tendo tido filhos. E agora, na reta final de suas vidas, de repente ganhavam uma filha como Inês, trazendo grande conforto para o restante de seus dias.
Quanto mais Cláudia pensava nisso, mais engraçado achava. Ao contar a história ao Sr. Vieira, ele também riu, os olhos apertando-se em fendas.
Inês assistiu ao carro de Dona Cláudia desaparecer no tráfego distante e, virando-se para o grupo, declarou:
— Obrigada por virem me fazer companhia hoje. Eu gostaria de convidar todos vocês para um almoço.
Ninguém fez objeção.
Rodrigo franziu a testa levemente; ele era o único que não tinha tempo.
À tarde, ele precisava recepcionar um idoso em nome dos pais, e à noite ainda o acompanharia no jantar.
Esse ancião era ninguém menos que o pai de Douglas Siqueira e Lucinda, Robson Siqueira.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...